Meu Malvado Favorito 3: a mesma fórmula, mas sem sucesso

Ao apostar em diversas tramas diferentes e ao apego aos filmes anteriores, Meu Malvado Favorito 3 perdeu uma ótima oportunidade de finalmente expandir a franquia

Por Robinson Samulak

 

O poder do vilão numa história é um dos elementos principais para qualquer enredo. Muito mais que despertar a motivação do herói, o vilão é responsável por movimentar os principais momentos do filme. Independente do público alvo da história, a falta de presença no vilão pode prejudicar a história e torná-la problemática.

Em Meu Malvado Favorito, o primeiro longa da franquia, o confronto entre dois vilões – no qual o público instintivamente transformava um deles, Gru, em um protagonista carismático – conseguia carregar o filme. Ao tirar a vilania do protagonista houve uma tentativa de se apegar a outros elementos e novas personagens numa sequência divertida, porém inferior ao original. No terceiro filme, buscou-se repetir a mesma fórmula do passado, mas mais uma vez sem o sucesso desejado.

Meu Malvado Favorito 3 nos apresenta diversas subtramas que às vezes se amarram na principal, às vezes parecem soltas no meio do filme. Desta vez vemos Gru (Leandro Hassum) e sua esposa Lucy (Maria Clara Gueiros) tentando recuperar o emprego na Liga Anti-Vilões quando o protagonista recebe uma inesperada notícia: um irmão gêmeo, Dru (também dublado por Leandro Hassum), quer conhecê-lo.

O vilão do filme é Balthazar Bratt (Evandro Mesquita), um famoso ator de série de TV dos anos 80, que após ver o fim de seu programa decide se vingar de Hollywood. Sem carisma e sem uma construção adequada, o vilão acaba se tornando um elemento narrativo apenas. Com diversas referências a filmes e músicas dos anos 80, para o público infantil certamente falta bagagem, fazendo com que o estúdio precise apelar para barulhos engraçados e situações forçadas para um momento mais cômico.

Já Gru e Dru conseguem se somar de forma positiva no filme. Eles funcionam como uma espécie de yin-yang e protagonizam bons momentos do filme. Apesar de ser um velho clichê narrativo surgir com o irmão desconhecido, neste caso a forma como foi utilizado mais ajuda que atrapalha.

 

 

Os minions, como nos filmes anteriores, são destaque e roubam cada uma das cenas em que aparecem. A forma utilizada para que eles não se tornassem os verdadeiros protagonistas é divertida, talvez o único ponto no qual o roteiro consegue divertir tanto adultos quanto crianças ao mesmo tempo. Eles conseguem ter uma narrativa independente do filme numa das subtramas e o público consegue sentir falta deles em determinados momentos.

Por fim, a última das narrativas apresentadas é a tentativa de Lucy de tornar-se uma figura materna para Margo (Bruna Laynes), Edith (Ana Elena Bittencourt) e Agnes (Pâmela Rodrigues). Ao mesmo tempo é uma tentativa de dar mais protagonismo à personagem em cenas que oscilam entre divertidas e bobas.

Meu Malvado Favorito 3 não é a melhor animação da franquia. Apesar de se sustentar demais nos filmes anteriores também não é uma catástrofe. Para o público infantil, alguns momentos certamente irão tornar o filme muito divertido, mas a falta de carisma e presença do vilão somada às diversas narrativas e à tentativa de ampliar o público do filme tornam esta animação muito abaixo do que poderia ter sido.

 

Avaliação do filme: 6,0

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