Movimento celebra Go Skate Day 2017em Curitiba 2017

Mesmo sem apoio da prefeitura e com queda de participação, o evento trouxe a tona as reivindicações dos skatistas curitibanos a necessidade de mais políticas públicas para o esporte

Por Cássia Ferreira 

O Go Skate Day é o evento que marca as comemorações e as reivindicações de 21 de junho, o dia mundial do skate. A data foi escolhida em 2004 pela Associação Internacional de Companhias de Skate, porém, por questões de organização e participação,  a celebração é marcada para o final de semana mais próximo. Neste ano  a manifestação em Curitiba foi antecipada para o domingo, 18 de junho, e reuniu mais de 4 mil skatistas.

A concentração começou na Boca Maldita, nos arredores da praça Osório por volta das 11h da manhã. Às 13h, um trio elétrico puxou centenas de skatistas em passeata até a Praça Afonso Botelho (PAB), em frente ao estádio Arena da Baixada.

As atrações do dia foram garantidas pela organização Go Skate CWB. O evento contou com sorteio de brindes, shows, grafite e vários obstáculos espalhados pela praça, além da pista recém reformada. O público é bem heterogêneo, e apesar de uma maioria de adolescentes, também estavam presentes pessoas mais velhas, pertencentes a chamada “old school”.

Miguel, 7 anos foi acompanhado pelo pai ao evento. Foto Cássia Ferreira

A nova geração também participou da festa, como é o caso de Miguel de 7 anos que foi acompanhado pelo pai, o empresário e barbeiro, Fábio Roberto Coraiola. Segundo ele, o filho anda de skate desde os 3 anos e no último aniversário ganhou um modelo quase profissional. “Como a gente viu que ele tem talento e gosta, decidimos investir em equipamentos melhores”, conta o pai orgulhoso. Para Fábio, o filho pode representar o futuro do esporte, e mesmo que não se torne um profissional, a participação no evento é importante para entender a cultura do skate. “Uma geração saudável, que tem uma cultura de respeito entre si”, descreve.

 

Histórico do Go Skate CWB

 Curitiba já foi considerada a capital mundial do skate,  reunindo mais de 30 mil skatistas na edição de 2014. O baixo quórum de 2017, segundo os organizadores, deu-se pela falta de apoio da prefeitura. Luiz Felipe “Pudim”, presidente da Associação dos Skatistas da Praça (A.S. PRAÇA), conta que nos anos anteriores a Prefeitura de Curitiba disponibilizava verba para realização do evento, o que possibilitava uma melhor infraestrutura – banheiros químicos, segurança da guarda municipal, e a distribuição de camisetas em troca de alimentos, que posteriormente são doados para instituições de caridade. Este ano devido a falta de investimento a distribuição não ocorreu.

 A organização teve que caminhar com suas próprias pernas para fazer o evento acontecer, apenas 4 policiais militares acompanharam a passeata e bloqueando as ruas temporariamente para a passagem dos skatistas.
Shapes foram lançados para o público durante a passeata. Foto: Cássia Ferreira

A primeira edição do Go Skate Day foi em 2009 quando correu um boato sobre a retirada da pista de skate da PAB. Os skatistas que andavam e cuidavam do local decidiram se mobilizar em torno do evento para reivindicar junto ao poder público, não só a manutenção da pista, mas também mais espaço ao poder para a prática do skate em Curitiba. Depois de quase dez anos, as demandas continuam as mesmas, “melhoria na estrutura nas pistas prontas e a construção de novas pistas projetadas por skatistas” conta Luiz Felipe. De acordo com o presidente da A.S. PRAÇA, algumas necessidades até têm sido ouvidas. Além restauração da PAB, também foi construída outra pista projetada por skatistas no Rio Bonito/Tatuquara.  Mas Pudim reforça, “as duas pistas são o começo, a gente tem muita coisa para conquistar”.

Aliada a falta de manutenção das pistas existentes, outro problema constatado pelos skatistas é a similaridade entre elas, o que acaba limitando a evolução dos praticantes. Dentre as 27 pistas de Curitiba, existem somente 5 modelos diferentes, e apenas duas foram projetas por skatistas. “O projeto segue um padrão, as que não fazem parte do padrão são pagas e nós queremos acesso para todo mundo”, ressalta Luiz Felipe. Ele ressalta, “A gente vê muitos amadores bons, mas os atletas de ponta pararam em Curitiba, a pessoa tem que ir para fora, a falta de estrutura e incentivo prejudica todo o atleta”.

 

Skatistas e Voluntários

Anderson Poletto, 21, estudante de Educação Física, foi um dos voluntários que acompanharam o andar da manifestação. Ele também observa a falta de estrutura adequada das pistas de Curitiba, “Falta pista, as poucas que tem estão destruídas ou são mal feitas porque não são projetadas por skatistas”, opina. É o primeiro ano que Anderson é voluntário, mas já havia acompanhado a namorada em outras edições. A skatista Vitória Carla, 21, estudante, é voluntária no Go Skate Day há 6 anos, desde que entendeu a importância do movimento para as conquistas do skate “Se não fosse esse movimento acho que nem teria mais essa pista”, diz ela referindo-se a PAB.

A função dos voluntários é principalmente cuidar do em torno do trio elétrico e da segurança no evento. Há relatos de pessoas que não são skatistas e vão para o Go Skate Day somente para “bagunçar”,  os voluntários avisam as autoridades para o encontro não seja prejudicado.

A manifestação aconteceu de forma pacífica. Durante a entrega dos brindes – shapes e camisetas lançados do trio elétrico – ocorreram algumas desavenças e princípio de empurra-empurra. Porém, no final, o que importou foi a reunião dos skatistas em mais uma iniciativa independente para celebrar o dia do skate e se fazerem visíveis aos olhos do poder público, como reafirmou um dos organizadores Luiz Felipe, “a gente quer mais estrutura pro skate, porque skate é uma cultura que gera emprego, gera renda, paga impostos, gera voto, e tudo mais”.

You May Also Like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *