No parque, em casa e por skype: conheça alternativas para quem quer praticar yoga

Com o aumento do interesse pelo yoga, instrutores estão oferecendo mais possibilidades de aulas para alunos que não possuem uma rotina fixa

Por Pedro Macedo

Todos os finais de semana, o movimento Yoga no Parque realiza aulas de yoga, totalmente gratuitas para a comunidade, em diferentes locais de Curitiba. Criado em 2010 pelo professor Silvio Lopes, a principal missão do movimento é promover o yoga e contribuir para o bem-estar pessoal através da prática. Os encontros acontecem às 10h da manhã, sendo feitos no Parque Barigui e no Jardim Botânico aos sábados e nas Ruínas da Rua São Francisco aos domingos.

A iniciativa de levar o yoga para fora dos ambientes formais, como estúdios e academias, aparece no momento em que o interesse pela prática do yoga aumenta, mas grande parte das pessoas não ainda têm tempo ou disponibilidade para pagar uma aula privada ou organizar uma rotina fixa para fazer as aulas. Assim, dar aulas em lugares públicos, disponibilizar conteúdo pela internet, ou simplesmente ir na casa do aluno, têm sido formas de aumentar a adesão do público pela prática – além de ajudar a quebrar os diversos preconceitos que ainda pairam sobre o yoga.

No domingo (13), dia das mães, a professora Kali Ananda, que já trabalha com o yoga há 11 anos, inicia a aula com alguns avisos prévios. Ela conta que a prática do yoga é “da pele para dentro” e alerta aos participantes para que respeitem os limites do seu corpo, sem exageros. O yoga não é uma prática de exibicionismo, mas de conhecimento interior – sendo assim, os participantes não precisam realizar todos os movimentos com perfeição. “Se você não consegue colocar a mão no chão, tudo bem, vai até onde alcançar”, fala a instrutora durante os primeiros exercícios de alongamento. Kali também avisa que é importante ter respeito ao próximo e completa dizendo que qualquer pessoa é bem-vinda.

As aulas têm duração de 1 hora. Caso esteja chovendo, as aulas podem ser canceladas, devido a inviabilidade de realizar ao livre. Foto: Pedro Macedo.

O público vai se acomodando nas Ruínas da São Francisco com o passar do tempo. O barulho do movimento na Feira do Largo da Ordem e dos shows ao vivo realizados pela Mundo Livre FM não atrapalham as (aproximadamente) dez pessoas sentadas no chão. Algumas mães haviam levados seus filhos para a aula, por ser dia das mães, e algumas crianças até se arriscaram em alguns movimentos.

Para Kali, é difícil tentar definir o que as pessoas mais buscam na prática do yoga, já que cada pessoa vai para a aula com objetivos distintos. “Às vezes, vem buscar saúde para o corpo, melhorar dor nas costas. A maioria vem para o yoga buscar saúde melhor”, conta a instrutora. Ela afirma que isso acontece, principalmente, pelo fato de ser impossível mostrar coisas abstratas como “melhorar saúde mental, melhorar saúde emocional, exercitar o fluxo de energia” e assim, o que é mostrado do yoga acaba tendo relação com a postura e com os exercícios para melhorar o corpo. “Mas isso pode assustar também, já que são muito mostradas aquelas posições muito difíceis de praticar. Então isso pode acabar bloqueando as pessoas de entrarem no yoga”, finaliza.

O público que frequenta as aulas é bem diversificado e os exercícios podem ser feitos por qualquer pessoa. Foto: Pedro Macedo.

Kali ainda fala que muitos médicos têm receitado o yoga como tratamento, para evitar o uso de determinados medicamentos pelo paciente. Ela conta que desde que começou a fazer yoga, conseguiu alcançar muitos benefícios para o corpo: melhor respiração, flexibilidade e manter a saúde do organismo em dia. A prática do yoga combinada com a prática do skate foi tema da monografia de Kali no curso de Yogaterapia, na Faculdade Espírita de Curitiba. 

Ao fim das aulas, as pessoas dizem se sentir mais calmas e relaxadas, prontas para seguir mais uma semana. Não é necessário levar equipamentos profissionais – uma canga e a vontade de fazer yoga são suficientes. Foto: Pedro Macedo

O Yoga no Parque surge com a necessidade de poder levar o yoga de forma democrática para a sociedade. De acordo com o site oficial, o grupo se mantém através de doações feitas pelos alunos e de campanhas de crowdfunding (arrecadamento virtual de dinheiro através de um grande número de pessoas). A professora Kali afirma que o projeto tem o cuidado de ter instrutores que saibam dar uma aula para iniciantes e praticantes ao mesmo tempo, e que todo mundo saia bem da prática. Os professores rodam durante os dias, então nunca haverá um professor fixo em todas as aulas. Durante a temporada do verão, as aulas já chegaram a ter 300 pessoas.

Aulas em casa

Outra alternativa para quem não tem disponibilidade de sair de casa são as aulas de yoga dentro da própria casa. Cíntia Marques, professora de yoga, começou a dar aulas nas casas dos alunos, já que não possuía um estúdio onde pudesse convidar as pessoas a praticar. Ela também conta que essa opção lhe possibilita conciliar o trabalho em uma agência com o amor pelo yoga. De acordo com Cíntia, os motivos pelos quais o aluno opta por ter uma aula em casa são inúmeros. A grande maioria escolhe esta opção por falta de tempo para ir até um lugar específico praticar as aulas, mas também existem os casos de doenças que inviabilizam a locomoção da pessoa. “Eu tenho alunos com câncer, alunos idosos e alguns outros muito ocupados, com mais de dois empregos. Assim, eles precisam que eu vá até eles”, afirma a instrutora.

Para ter aulas, o aluno pode entrar em contato com Cíntia e agendar uma aula experimental gratuita. FOTO: Divulgação/Cíntia Marques

A professora ainda diz que, para praticar yoga, é preciso ter apenas vontade. Ela garante que qualquer pessoa pode praticar, independente da idade ou do corpo. “Os exercícios podem sempre ser adaptados às necessidades do aluno”, ela comenta. Cíntia afirma que depois de começar a praticar yoga, ela se tornou uma pessoa mais tranquila e confiante. “Hoje eu encontrei equilíbrio mental e energético. Isso não quer dizer que eu não fique triste ou estressada, ou que não sinta o que as outras pessoas sentem. Isso significa que eu aprendi a lidar com minha mente e minhas emoções”, conta. Ela também fala que a prática trouxe mais flexibilidade e força ao seu corpo, além de melhorar seu sistema imunológico e ter perdido gordura corporal.

Gicela Navarrete é fisioterapeuta formada há 20 anos e instrutora de yoga formada há 10, e conta que encontrou no yoga uma possibilidade de grande transformação na vida. “Eu mudei de casa, estado civil e o yoga naquele momento me pareceu uma boa opção com a promessa de equilíbrio, bem-estar, fazer uma atividade física e eu já sabia que ia gostar”, conta a instrutora. Quando perguntada sobre os benefícios que encontrou no yoga, ela brinca que seria capaz de escrever uma enciclopédia sobre o assunto. “O yoga me refez”, conta Gicela. “Dormir bem, equilíbrio, paz interior, serenidade, clareza mental, foco, concentração, saúde física e emocional, flexibilidade. Eu fiquei mais feliz com meu corpo. Me sinto melhor agora com meu corpo de 42 do que quando eu tinha 22”, diz.

Gicela também oferece aulas de yoga na casa dos próprios alunos. “Casa é sempre bom. É uma coisa mais íntima”, conta a instrutora. Antes, Gicela dava aulas em sua própria casa. Hoje, dividiu o lar em dois – possui um estúdio específico para suas aulas e mora no andar de cima, além de continuar indo na casa das pessoas. “Eu gosto de ir até os meus alunos, pelo quesito comodidade, prazer e conforto. Seja que horário for, a pessoa tá na casa dela e sua casa é seu templo”, explica. Ela conta que o espaço físico é o de menos, mas que é importante que o aluno tenha uma boa organização e um espaço adequado para a prática. “Um lugar em que ele pode ficar um bom tempo sem ser incomodado ajuda bastante”, finaliza. 

Os cuidados

Além disso, Gicela também oferece aulas pelo Skype. Ela conta que a ideia surgiu depois que uma de suas alunas teve que se mudar de cidade e não encontrou um lugar que atendesse suas necessidades da prática de yoga. “As praticidades da aula de yoga via Skype são muitas, e uma delas é a possibilidade de você achar professores na internet, quando você não tem alguém que possa te dar aulas na sua cidade”, comenta. Gicela também dá aula para o irmão dela, que mora em São Paulo, e até para alunos que nunca viu presencialmente – ela acredita muito na otimização do tempo para ambas as partes.

Uma vivência interessante é que Gicela também deu aula para a irmã de sua primeira aluna por Skype durante a gestação, e só foi conhecê-la no chá de bebê. “Tudo tá valendo. A gente não pode procrastinar, deixar de cuidar de si mesmo e ter uma boa saúde”, argumenta a instrutora, que garante que é possível viabilizar as práticas de acordo com as necessidades do aluno.

“É óbvio que eu prefiro presencial, mas nos casos que eu dei aula via Skype, tanto eu quanto os alunos achamos que valeu muito a pena e que foi suficiente para satisfazer as necessidades da pessoa”, comenta Gicela. Foto: Arquivo Pessoal

Gicela também afirma que adora praticar pela internet, assistindo vídeos no Youtube e procurando tutoriais – seja para pesquisar algumas dúvidas ou enxergar as diferentes formas de prática do yoga. “Gosto de ver diferentes execuções, aprendo as pronúncias de outras palavras, eu me aperfeiçoo”, comenta, ressaltando que o que realmente importa é praticar e vivenciar a técnica. Quando perguntada sobre os cuidados necessários na prática baseada em vídeos pela internet, a instrutora argumenta que é importante ter ainda mais cuidados do que em uma aula presencial. Ela comenta que nas aulas dadas pessoalmente, o praticante tem o instrutor ao seu lado para cuidar e prezar pela saúde; enquanto na internet, essa figura não existe. “O aluno tem que prezar pela sua saúde. Acho que cada um tem que estar atento e cuidadoso com sua própria vida, e não ir fazendo tudo que está ali”, argumenta. Ela frisa ainda a importância do aluno respeitar os seus limites e não se machucar durante os exercícios. 

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