Nolan atinge as estrelas em Interestelar

Christopher Nolan é um diretor que sempre divide opiniões. Entre os cinéfilos de plantão há quem ame e há quem odeie ele. Bem, verdade ou não, o inegável é que Nolan conquistou seu espaço dentro de Holywood e, mais do que isso, uma legião de fãs fervorosos.

Efeitos visuais são ponto alto no novo filme de Christopher Nolan (Foto: Reprodução)
Efeitos visuais são ponto alto no novo filme de Christopher Nolan
(Foto: Reprodução)

O diretor é responsável por filmes como “Amnésia”, “A Origem” e a última trilogia de “Batman”, todos sucessos de bilheteria. Nolan sabe bem como escolher sua equipe e elenco, sendo eles responsáveis por performances marcantes – como o eterno Coringa de Heath Ledger – que só agregam mais valor à suas obras. Além disso, não mede esforços para manter seus filmes, e sua forma de fazer cinema, inovadores. Vide a “cena do corredor” em “A Origem”.

Mas dentre tudo que permeia o universo de Nolan, sua marca registrada são os roteiros intrincados, cheios de plot twists, escritos normalmente em parceria com seu irmão Jonathan Nolan. Nunca seus filmes são o que aparentam à primeira vista.

Tendo isso em mente é completamente justificável o burburinho que se formou quando foi anunciado que o diretor faria um filme de ficção científica. Depois de muita espera, teasers, e muito mistério em relação à produção de sua mais nova obra, o sofrimento acabou e Interestelar chegou aos cinemas. E com isso veio a dúvida: será que o filme faz jus ao currículo de Nolan e a expectativa dos fãs?

Experiência visual

Quando a raça humana se encontra ameaçada de extinção, graças a forma irresponsável com a qual lidou e consumiu a Terra, a única esperança é deixar o planeta em busca de possíveis mundos habitáveis. Para isso, entra em cena Cooper, um ex-piloto da NASA que acaba embarcando em uma missão arriscada e solitária para salvar a humanidade. A partir daí somos guiados em uma jornada pelo desconhecido, com direito a paradoxos temporais, buracos de minhoca, dimensões paralelas e uma alta carga de sentimentalismo.

Interestelar traz tudo que caracteriza o trabalho de Nolan, ainda mais potencializado. A produção do filme foi feita com esmero e dedicação louváveis. Desde acoplar uma câmera IMAX na ponta de um jato à estruturar o roteiro com a ajuda de físicos teóricos – para evitar gafes científicas e furos na história , Nolan faz de tudo para que o público mergulhe de cabeça no filme.

Os efeitos visuais de Interestelar são grandiosos. O jeito com que o diretor representou e construiu o espaço sideral e os planetas que os exploradores desvendam enche os olhos. Isso provavelmente renderá algumas indicações ao Oscar, ao menos nas categorias técnicas, da mesma forma que aconteceu com Gravidade, de Alfonso Cuarón.

Novo Sci-fi

Além do visual, outro ponto a se destacar é o roteiro. A princípio a história parece relativamente simples, usando uma premissa comum aos filmes de ficção científica. No entanto, Nolan, ao longo da trama, deixa algumas pontas soltas. Em certos momentos você chega a esquecer delas, absorvido pela narrativa principal do filme. E assim o roteiro vai caminhando. Quando finalmente chegamos ao clímax da trama, todas as pontas soltas passam a fazer sentido e a própria premissa inicial do filme se torna algo muito maior. Esse é o grande trunfo do Nolan, a forma com que ele consegue resignificar seus filmes inteiros se valendo de detalhes da narrativa que formam um quebra-cabeça principal.

Além disso, a trilha sonora de Hans Zimmer casa perfeitamente com o filme. Os temas compostos por Zimmer trazem referências a outras trilhas clássicas de sci-fi e vão do sutil ao épico em vários momentos. A clara influência de 2001: Uma Odisséia no Espaço pode ser vista ao longo do filme inteiro, mas é na trilha sonora que ela se manifesta mais forte.

Falhas ou virtudes?

O filme é relativamente pesado em seu conteúdo. Alguns dos diálogos são carregados de muita informação científica, o que pode deixar o público um pouco perdido em certos pontos. Ou até mesmo trazer uma aura de pseudo-intelectual para a obra.

Além disso, Nolan aposta muito no drama, no sentimentalismo, especialmente quando trata da relação de Cooper com sua filha. Sendo que o relacionamento deles não é tão bem explorado quanto poderia, visto que é uma peça chave na trama. Também, algumas das saídas que Nolan encontra, por mais que na hora pareçam incríveis e muito bem pensadas, são um pouco incoerentes depois de se pensar sobre elas.

Ainda é cedo para dizer se essa é a melhor obra de Nolan. O filme tem falhas ao seu decorrer? Sim, mas mesmo assim sua grandeza é inegável. Definitivamente é um filme que faz pensar sobre o nosso lugar no universo. Nolan utilizou o gênero da ficção científica ao seu favor, na medida em que ele não quis fazer um filme de ação, mas uma aventura séria, com várias pitadas de drama, e de certo teor filosófico. Interestelar é uma viagem difícil de esquecer, que impressiona, e, no final, não desaponta.

Trailer

O filme encontra-se em cartaz nos principais cinemas da capital paraense. Confira o trailer:

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