O amor e a superação de um time vitorioso

“Nosso time é a nossa família, a família Duque”, diz a capitã

Por Juliana Firmino

O punhobol, esporte de origem alemã, é jogado no Brasil há mais de cem anos, principalmente na região sul, onde a imigração europeia foi mais forte. Na capital paranaense, a categoria feminina do esporte é representa pelo time do Clube Duque de Caxias.

No ano de 2000 parte do time começou a treinar no Clube Rio Branco, posteriormente, em 2005, apenas três jogadoras permaneceram e foram convidadas a treinar no Clube Duque de Caxias, é o que explica Angela Melo, atual capitã do time: “Nos juntamos com as outras meninas que já jogavam lá e, com o tempo, foi criando muita união entre as atletas”. A capitã conta que a equipe é a mais vitoriosa do mundo atualmente, tendo conquistado seis campeonatos mundiais, sendo o último o de 2017, onze campeonatos sul-americanos, um campeonato pan-americano e inúmeros campeonatos brasileiros. Ela diz que a união das jogadoras faz toda a diferença para esse resultado: “É um time de muita força de vontade, muita disciplina, já passamos por muitas dificuldades nesses 12 anos, mas superamos para alcançar nossos objetivos!”.

O time de punhobol feminino do Clube Duque de Caxias venceu o hexacampeonato mundial este ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Ano que vem as atletas viajarão para mais duas competições internacionais planejadas, o campeonato interclubes em abril, na Alemanha, e o campeonato mundial em junho, na Áustria, no qual o time representará a seleção brasileira. O clube tem condições de ajudar com apenas um terço da viagem e, atualmente, conta também com a parceria com a Casa Costa Cosméticos para tentar suprir os gastos financeiros. Ainda assim, as jogadoras precisam desembolsar a maior parte do dinheiro do próprio bolso.

A capitã do time deixa em aberto seu e-mail e pede que empresários ou pessoas interessadas em conhecer o time e o esporte entrem em contato para, possivelmente, patrociná-las. Angela explica: “Temos um setor de marketing que cuida disso, temos um projeto com revista, internet, camisetas, um espaço que podemos proporcionar (…) é uma ajuda que estamos precisando muito devido a todos os campeonatos que vamos ter ano que vem”.

Essa situação faz com que as atletas precisem ter outras profissões fora de campo, para ter condições de se sustentar e se manter no esporte. Fernanda Passos, atleta do time, fala sobre isso: “As vezes a gente tá estressado por algo do trabalho e o treino não rende bem, é algo coletivo, a gente tenta ao máximo chegar na quadra e deixar tudo que não é punhobol do lado de fora”. A conciliação de treino e trabalho também não é fácil. “Nossos treinos são sempre a noite, mas ainda assim tem algumas que não conseguem treinar, pois uma é professora e dá aula a noite, outra é farmacêutica e as vezes trabalha”, conta ela.

Os treinos técnicos são intercalados nos dias da semana com treinos de academia, para manter a forma necessária, mas precisam ser associados a boa alimentação. As atletas reforçam que, apesar de muito disciplinadas em ter uma alimentação saudável, nem todas tem possibilidade de bancar uma nutricionista.

Apesar dos inúmeros campeonatos competidos, o punhobol ainda é um esporte com pouca visibilidade e não é reconhecido pelo Comité Olímpico Internacional. As atletas lutam contra isso e sonham em um dia jogar em uma Olimpíada.

Fernanda deixa um convite para a comunidade conhecer o punhobol em um Torneio Interno de portas abertas no clube. “Ninguém tem que saber jogar, se precisar a gente ajuda”, explica ela, que ressalta que jogar não é obrigatório, o importante é conhecer e se divertir. O evento ocorre no dia 16/12 (sábado) e, para participar, é necessário entrar em contato com o clube ou com uma das jogadoras para ter a sua entrada liberada. Fernanda reforça que não precisa ter um time pronto, podem ser feitos sorteios na hora.

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