“O Assassinato no Expresso Oriente” – Um grande elenco que carrega um filme nas costas

Repleto de nomes famosos, adaptação de clássico romance de Agatha Christie dá início à uma nova franquia de mistérios 

Por Arthur H. Schiochet

Foto: Reprodução/20TH Century Fox

Um dos filmes mais aguardados do ano conta a história do detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh de “Henrique V”, que estrela e dirige o filme) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman de “Snatched”), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à uma oferta tentadora de Edward Ratchett (Johnny Depp de “Edward Mãos de Tesoura”). Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

Esta não é a primeira adaptação do clássico livro para os cinemas, outra versão, dirigida por Sidney Lumet, rendeu uma indicação ao Oscar para Albert Finney, que interpretou com maestria o detetive Hercule Poirot. A nova versão do investigador belga ficou nas mãos de Kenneth Branagh e este, por sua vez, se mostra um grande sucessor de Finney. O Poirot aqui em tela prende a atenção e surpreende com cada movimento que o quebra-cabeças da trama se monta, em momentos onde descobre métodos de achar possíveis pistas, seja queimando um papel para ler o que estava escrito ou a observação de um limpador de cachimbos.

Kenneth Branagh dá vida ao novo Poirot Foto: Reprodução/20TH Century Fox

Logo de cara o filme chama a atenção pelo seu grande elenco, que serve de artefato narrativo para o desenvolvimento da história. Por conhecer os rostos o espectador cria afeição por aquele que pode ser o assassino do trem. Isso também é algo que o filme traz como alicerce da versão de 1974, a outra adaptação tinha nomes como Ingrid Bergman, Sean Connery e Anthony Perkins. Em 2017 temos Josh Gad (A Bela e a Fera) como Hector Macqueen; Michele Pfeiffer (Mãe!) como Caroline Hubbard, Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona) como Pilar Estravados; William Defoe (Meu Amigo Hindu) como Gerhard Hardman; Judi Dench (Philomena) como a Princesa Natalia Dragonoff; Daisy Ridley (Star Wars: Episódio VIII) como Mary Debenham, entre outros.

A composição de cenários e a fotografia trazem o espectador para dentro de um trem, pois cada pequeno detalhe tem um cuidado impressionante, como cada pequena janela no restaurante, além de momentos que se fossem congelados renderiam quadros lindos, principalmente nas cenas externas da locomotiva. Outro fator interessante na direção de arte é o figurino, que chama a atenção e faz com que a ambientação de época seja mais crível.

Foto: Reprodução/20TH Century Fox

Sobre a direção de Kenneth Branagh, vale destacar a posição de câmeras na hora em que se revela o crime, dando uma ideia de claustrofobia, ideal para trazer o clima de perigo aos espectador. Enquanto o trem está em movimento a câmera trêmula evoca uma sensação de desconforto muito clara e te põe dentro do trem.

O prólogo faz a escolha de apresentar Poirot ao invés de apresentar o caso Armstrong, que aqui é trazido à tela por meio de flashbacks em preto e branco. Uma opção de mais fácil entendimento para quem não conhece a história, pode incomodar aos mais puristas pela preguiça de contar o fato bruto ao invés de desenvolvê-lo durante o filme.

Entre os pontos que o filme peca estão o desenvolvimento de cada personagem, pois em muitos casos nem o nome de cada um é lembrado, bem como a resolução que se apresenta para o crime, que soa como uma sacada tirada da cartola, onde todos os personagens se reúnem em uma mesa e escutam as palavras de Poirot, quando uma novidade visual seria muito bem vinda. Por mais que o longa tenha um elenco muito estrelado, talvez o mais impressionante do ano, alguns nomes são completamente esquecidos e mal explorados. No momento da revelação a força de Poirot se mostra e todos que não conhecem o final se espantam, mas para quem já sabia como a trama se desenrolava pode achar que as pistas são pouco exploradas e a solução apressada, apesar das quase duas horas de produção.

“O Assassinato no Expresso Oriente” é um filme bonito, com classe e que dá sinais que pode gerar uma franquia muito interessante nos próximos anos. Para um primeiro capítulo e um livro tão relevante, o gosto que fica é de “é bom,mas poderia ser mais marcante”, o que o cinema de blockbusters tem entregue aos montes durante os últimos anos, como os recentes filmes de super-herói, cada vez mais episódicos e descartáveis. Recomendado para quem é fã da história ou está curioso com o modo de como irão adaptar uma história tão marcante.

Nota: 7/10

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