“O Brasil tem o sistema tributário mais perverso do mundo e o menos distributivo”, afirma Ogier Buchi

Buchi afirma que solução para os presídios no Paraná são as parcerias público-privadas (Foto: Reprodução/Facebook)
Buchi afirma que solução para os presídios no Paraná são as parcerias público-privadas (Foto: Reprodução/Facebook)

Ogier Buchi, candidato ao governo do estado pelo PRP (Partido Republicano Progressista), é conhecido por ser um homem polêmico no jornalismo paranaense. O candidato foi um dos comentaristas do Jornal da Massa, do SBT, e é formado em Educação Física e Direito. Com 62 anos, ele acusa o sistema político atual de excluir candidatos estreantes, e também dirige críticas à imprensa, que acredita tratar de maneira injusta os partidos pequenos.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, Buchi declarou que, se eleito, não vai concorrer à reeleição. O candidato também falou sobre o sistema prisional paranaense, a reforma política e o investimento nas universidades estaduais.

Leia a conversa:

Qual a sua opinião sobre a função dos partidos pequenos nas eleições?

A função dos partidos no sistema brasileiro de votação, que tem dois turnos, deveria ser igual. Não é, infelizmente. Em parte é por causa da ignorância da imprensa que finge que entende, mas não entende esta função. Até porque, se entendesse, jamais faria esta divisão entre partidos pequenos e partidos grandes. Eu explico: o partido que está no poder hoje, o PT, também foi um partido pequeno. Propôs uma mudança do Brasil de tal forma que conseguiu virar um partido grande. Os partidos pequenos hoje têm uma função que é a de lembrar ao Brasil que existe um pressuposto no caráter das pessoas chamado honestidade. E ninguém está levando isso a sério. Os partidos pequenos, ou chamados de pequenos, são tratados injustamente pela imprensa. Assim, a imprensa elegeu três candidatos e não dá oportunidade para quem nunca disputou a eleição. Nós temos pouco tempo [no horário político] e a imprensa não faz o seu papel, que é de permitir que todos exponham as suas propostas.

O senhor cita nas suas propostas a melhoria na assistência farmacêutica. Como previsto na Constituição, o brasileiro teria direito pleno à medicação, embora isso não ocorra na realidade. Como o senhor pretende otimizar o acesso à medicação popular no Paraná?

Nós temos 29 secretarias. Eu vou baixar esse número para quatro. A de Gestão Pública, a de Qualidade de Vida, a de Desenvolvimento Sustentável e a de Segurança Pública. Com esta modificação, eu atendo às três funções básicas do estado, que é oferecer saúde, educação e segurança, e vou economizar muito dinheiro, obviamente.

Então das 29 o senhor pretende deixar só estas quatro secretarias?

Eu vou montar estas quatro. Todas as questões administrativas, como secretaria de fazenda e de de obras, por exemplo, vão para a de Gestão Pública. A de Qualidade de Vida, por sua vez, vai reunir saúde, educação, esporte e cultura. A de Desenvolvimento Sustentável vai agrupar um órgão ambiental e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Para a segurança eu pretendo realizar uma ação conjugada das forças policiais do estado, de preferência encadeada com a Presidência da República. Eu não sei quem vai ser presidente mas, seja ele quem for, tem que receber o governador, e o governador tem que tratar o presidente ou a presidente com o respeito adequado, e trazer para o Paraná aquilo que tem que ser trazido.

Mas e a questão dos medicamentos, da assistência farmacêutica?

Tem que comprar. No Brasil existe a lei dos genéricos, que quebrou patentes. Uma parte dos remédios pode ser fabricado pelo estado, mas outra não, porque o estado não tem expertise para isso. A lista de remédios da farmácia popular é a dos remédios de uso contínuo, e esses o estado tem que comprar. Para isso, temos que cumprir a lei dos 12% de investimento na saúde, que atualmente o estado não cumpre, mas eu vou cumprir. Os remédios que estão previstos estarão na farmácia.

Na área da segurança, o senhor cita uma ampliação das vagas do sistema prisional. Já que este aumento pode demorar um pouco, e nos últimos tempos têm ocorrido muitas rebeliões nas prisões do estado, há uma maneira mais rápida para otimizar este sistema?

Há. Vou privatizar a hotelaria nos presídios. Não posso abrir mão do cumprimento constitucional da pena, porque isso é dever do estado. Mas a hotelaria eu posso e vou privatizar. Você prende um homem ou uma mulher para que ele cumpra uma pena que tenha caráter punitivo e didático. Ele tem que voltar para a sociedade fazendo alguma coisa positiva para a sociedade. A parte de hotelaria hoje é um cubículo imundo, onde tem mais gente do que deveria ter. A comida que, em tese, é determinada por um nutricionista chega podre por causa da corrupção, e o sujeito que entra sai muito pior do que quando chegou. Fica muito mais barato fazer a parceria público-privada, já que o estado não tem dinheiro para construir as penitenciárias. O Requião mente quando diz que fez doze; ele fez duas. E fez bastante, considerando que o estado só tinha seis. Mas não é suficiente, é preciso fazer vinte ao mesmo tempo. E só é possível fazer isso se o estado fizer as parcerias público-privadas. Não adianta fazer quatro, porque quando estes quatro ficarem prontos, a demanda já os tornou obsoletos. O estado pode fazer tantas parcerias quantas forem necessárias, desde que não tenha corrupção. Se eliminar a corrupção no Brasil, elimina-se 25% do custo de tudo.

No seu plano de governo, o senhor colocou que pretende investir na melhoria do ensino médio e na qualificação dos professores, além de ofertar mais tecnologia na sala de aula. Mas muitas escolas públicas no Paraná sofrem com uma estrutura física precária. Quais são as suas propostas para resolver este problema?

Quem resolve o problema da escola, quando o governador dá um exemplo de austeridade, é a associação de pais e mestres, como acontece em muitos colégios onde o diretor é um exemplo. Se o governador for um exemplo, a própria população, ao molde do que acontece nos países desenvolvidos, ajuda a comunidade escolar da base. As pessoas no Brasil não fazem isso porque elas não se sentem estimuladas. Sabem que enquanto estão fazendo isso, o governador está viajando para o exterior. A diferença é que a rainha da Suécia vai trabalhar de bicicleta. As pessoas percebem o exemplo de um chefe de estado. Então eu acho que nós precisamos de uma mudança cultural.

O que o senhor pensa sobre a reforma política e a reforma tributária?

Todos sabem que a reforma tributária é necessária e que deve ser um dever da nova legislatura. O Brasil tem o sistema tributário mais perverso do mundo e o menos distributivo. A reforma tributária é um dever moral e de consciência do homem público. Sobre a reforma política, há dez anos nós já sabíamos que ela está muito atrasada. Ela não ocorre porque existem feudos e oligarquias. Os feudos são os partidos, e as oligarquias os cargos. Para fazer uma reforma política honesta nós teríamos que fazer um outro tipo de votação. Precisaria de votação por lista, precisaria de outro tipo de representatividade. O que é que nós temos hoje na Câmara: eventuais representantes de minorias, que entram na condição de cacarecos; uma imensa maioria de advogados que são subvencionados pelas empresas; algumas pessoas do segmento do Ministério Público e um mar de radialistas. Aí temos um poder completamente deformado. A lei tem que ser como essa que permite casais homossexuais se casarem. Não interessa o que eu acho, interessa o que é o momento social e histórico vivido. Existem os casais que vivem juntos? Eles adotam crianças? Sim. Então eles tem que casar.

O Paraná possui várias universidades estaduais que são muito importantes para facilitar o acesso dos estudantes da região norte e dos Campos Gerais, além da região oeste, ao ensino superior, como a UEM a UEL e a UEPG. Quais serão seus investimentos nestas instituições?

A UFPR possui um prédio arquitetônico que é o símbolo do Paraná. Não entendo o que aconteceu com nosso país já que chegamos a 6° economia do mundo, caímos, e não conseguimos construir nada na esfera pública. O cineteatro Ouro Verde, da UEL, queimou dois anos atrás, e até hoje não foi reformado. O estado não tem prioridades, gasta mal e é corrompido. As universidades de Londrina, Maringá e Ponta Grossa, principalmente, foram universidades de ponta na década de 1970, quando foram criadas. Hoje elas estão sucateadas do ponto de vista físico, como a escola também está. Só que na universidade há outro problema porque o objetivo é o ensino e a pesquisa. No ensino de 1° e 2° grau não tem este binômio. E se na universidade não temos nem estrutura física, como iremos falar de pesquisa?

Onde vamos resolver o futuro da estado? Só posso resolver na universidade. Na minha gestão, os reitores não vão ser eleitos em lista tríplice: a eleição vai ser direta e de votação maior. É a comunidade da universidade que resolve quem ela quer como reitor e não o governador. Além disso, a universidade terá autonomia financeira.

Como a sua eleição beneficiaria em especial a classe universitária?

Eu não separo jovem universitário do cidadão. A minha eleição beneficiaria o cidadão do Paraná porque eu gostaria de escrever meu nome na história como o melhor administrador de todos os tempos, mais honesto, digno e decente. Considere que mesmo o universitário e a melhor de todas as universidades pagas, que em tese não precisam do governo, precisam de um estado desenvolvido. Se eu desenvolvo o estado eu estou beneficiando o futuro deles.

 

 

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