O cinema e a marcha da modernidade

Mesa de debate no Teatro Eva Hertz, com os professores Fábio Allon e Joel Ramalho Júnior e mediação de William Biagioli (Créditos: Helena Salvador)
Mesa de debate no Teatro Eva Hertz, com os professores Fábio Allon e Joel Ramalho Júnior e mediação de William Biagioli.
(Foto: Helena Salvador)

Na última quinta-feira, dia 11, o teatro Eva Hertz recebeu a segunda mesa de debates do quarto Festival Olhar de Cinema de Curitiba. Os convidados, Fábio Allon, professor da Unespar, juntamente com o professor de Arquitetura da UFPR Joel Ramalho Júnior discutiram as intervenções nos espaços cinematográficos para abordar questões urbanas e sociais.

Através de uma linha do tempo que mostrou o desenvolvimento do cenário na história do cinema, Fábio Allon descreveu o pensamento espacial como um teatro filmado, que após o expressionismo alemão na década de 20 começou a promover outros eixos de uso do espaço.

Allon ainda pontuou a importância do espaço como contribuição direta na narrativa dos filmes. “É diferente colocar uma cadeira a oito metros de uma parede, e outra cadeira grudada em uma parede, sendo que um personagem deve realizar uma trajetória entre os dois. A dimensão de espaço acaba influenciando no tempo das falas e na ordem a qual a narrativa vai ser apresentada”, ele explica.

Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1959, Meu Tio, de Jacques Tati, foi destacado pelo professor como um marco na tentativa de explorar o diálogo entre o movimento urbano e o movimento social da modernidade. A obra está sendo exibida na mostra Olhar Retrospectivo, que durante o festival apresenta diversos filmes do diretor.

O professor Joel Ramalho Júnior complementou a fala de Fábio Allon traçando parâmetros da história da arquitetura moderna no Brasil com o cinema. Ele citou suas experiências em Brasília e em São Paulo nos anos 50 para ilustrar a relação das estruturas modernas no contexto urbano brasileiro.

William Biagioli, mediador da mesa, terminou o evento citando produções nacionais que fazem alusão ao espaço urbano como personagem social para entender a marcha da modernidade. Ele citou a produção Recifense O Som ao Redor de 2012 como a tendência brasileira de mostrar a desorganização contemporânea e retratar os problemas das cidades.

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