O Rei do Show – Uma estrutura simples para entregar uma importante mensagem

Músicas empolgantes e carisma de Hugh Jackman se sobressaem em um roteiro recheado de clichês

Por: Arthur H. Schiochet

Foto: Reprodução/20TH Century Fox

 

O filme conta a história de P.T. Barnum (Hugh Jackman de “Logan”), showman empreendedor conhecido como “Príncipe das falcatruas”. Entre suas criações estão um museu de curiosidades e um circo próprio, em que eram apresentados animais, freaks e fraudes de todo tipo.

Quando um espectador vai assistir um musical o que ele espera é que as canções sejam memoráveis e que após acabar a sessão ele corra para o Spotify ou o Youtube atrás das músicas mais impactantes. “O Rei do Show” tem isso, além de performances de dança muito bem coreografadas e um protagonista que atrai a atenção da plateia, como em um picadeiro de verdade.

Ao apresentar um circo de “aberrações”, o filme traz uma bela mensagem de identificação e reconhecimento, a ideia da diversidade e de se ver estampado em tela agrada a todos e isso é explícito em um breve momento no qual um garoto de muletas se vê representado pelos artistas. A personagem Anne Wheeler (Zendaya de “Homem Aranha-De Volta ao Lar”) traz um conflito muito interessante de como uma negra era vista no século XIX, algo que após tanto tempo ainda está longe de ser o ideal. Cada momento em que a plateia do circo assiste aos espetáculos ela passa a respeitar os astros do espetáculo, uma importante e tocante mensagem que o filme aborda. Se fosse feito anos atrás, talvez não teria o mesmo discurso ou impacto que tem agora.

Hugh Jackman, por sua vez, fica marcado como um dos grandes nomes dos musicais da geração, após uma grande performance em “Os Miseráveis” ele traz um P. T. Barnum muito divertido e carismático. Zac Efron (“Baywatch”) interpreta o ator burguês Philip Carlyle e prova que nunca deveria ter se afastado do gênero.

O filme retrata o meio do século XIX, mas as músicas possuem uma batida moderna e tons de percussão que são mais empolgantes. Compostas por Benj Pasek e Justin Paul, os mesmos compositores de “La La Land” algumas músicas destoam do resto do filme, mas são tão eficazes em divertir que valem cada segundo em tela. As minhas favoritas são “This is me” e “The Greatest Show”

A história é simplista e não apresenta nada de novo, ao lado dos clichês, que empobrecem muito o filme. As, há muito tempo batidas, cenas com “somos uma família”, são um exemplo de como o filme recorre a um lugar comum, mesmo com potencial para explorar outras vertentes a obra não se arrisca e acaba ficando mediana.

O filme não se arrisca a manchar a imagem de seu protagonista e isso é um ponto a ser discutido, em muitos momentos ele é chapa-branca demais e idealiza seus protagonistas, como se eles estivessem acima de qualquer preconceito ou erro. O Barnum da vida real era conhecido por ridicularizar os membros de seu picadeiro. O filme se propõe a apresentar uma biografia e não é fiel justamente no ponto que poderia ser mais discutível na personalidade ao biografado.

Este deve ser um filme que agrada o público e desagrada a crítica, assim como no filme, onde a plateia se diverte com o circo e o crítico ranzinza destrói as apresentações. No Rotten Tomatoes o filme está com 41% de aprovação da crítica e 78% do público. Eu fico no meio termo, entre me empolgar com as cenas musicais e pensar nos problemas do roteiro, mas no fim a experiência de ver no cinema engrandece um musical. Vale ver por Hugh Jackman, Zendaya e as performances musicais.

7/10

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