Palestra mostra quadrinhos como objeto de estudo acadêmico

A palestrante Denise Guimarães falou sobre graphic novels como “Hellblazer”, “Sin City”, “Watchmen” e “V de Vingança”. Foto: Caroline Socodolski

A palestra “História em Quadrinhos (HQ) nas telas” aconteceu no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na última quinta-feira (18). O evento foi conduzido pela ex-professora da UFPR, Denise Guimarãres, que lançou, recentemente, o livro “Histórias em Quadrinhos e Cinema: adaptações de Alan Moore e Frank Miller”. Os dois autores foram o tema central da palestra.

A pesquisa da professora, que teve início há sete anos, é pioneira no Brasil. Para Denise, a palestra teve como objetivo promover a reflexão sobre temas próximos do cotidiano. Ela conta que já ouviu preconceito contra as HQs, por serem consideradas “alienantes” por pais e docentes.

“As pessoas me dizem ‘mas quadrinhos?’, como se eu tivesse que trabalhar com alguma coisa do meu tempo”, declara. Com 50 anos de profissão, a professora já estudou adaptações literárias para o cinema. O interesse por quadrinhos só começou há 12 anos, quando os filhos lhe deram uma coleção de graphic novels (em tradução livre, “romance gráfico”) por não terem mais espaço para as obras em casa. “Foi uma herança às avessas”, afirma.

HQs nas telas

Imagens de capas de graphic novels como “Hellblazer”, “Sin City”, “Watchmen” e “V de Vingança” – todas obras de Alan Moore ou Frank Miller – ilustravam o evento através de um telão. A palestrante expôs as diferenças e semelhanças entre os autores e entre os quadrinhos e as adaptações que tiveram para o cinema.

Ao contrário de muitos fãs, ela não condena os filmes por não serem exatamente iguais às obras originais. “A adaptação sempre supõe uma série de supressões. É um recorte”, diz, durante a palestra.

O cinema Noir, romance policial “de época”, foi outro assunto abordado em “HQ nas telas”. A graphic novel “Sin City” e o filme “Constantine” foram comparados a esse estilo da sétima arte que, apesar de remeter ao tempo das imagens em preto e branco, utiliza-se da exploração do claro/escuro e das sombras. No telão, ilustrações retiradas dos quadrinhos eram comparadas às cenas das adaptações cinematográficas, muitas vezes idênticas à obra original.

O fim do evento foi marcado pela exibição de trailers das produções citadas. A maior parte do debate com o público envolveu o novo Super Homem do cinema – um homem que, ao fugir dos padrões típicos de super-herói, se torna um assassino. A transformação do Batman também foi comentada durante a palestra. Segundo a professora Denise, o autor Frank Miller revolucionou o personagem quando o desenhou mais másculo e gótico, e quando alterou a própria ideia da cidade onde se passa a história.

O final da palestra também contou com o sorteio de exemplares do livro escrito por Denise. A obra também estava à venda no local.

Organização

A palestra foi organizada pelo Núcleo de Estudos em Ficção Seriada (Nefics), grupo criado no início desse ano por estudantes e professores da pós-graduação em Comunicação da UFPR.  “Queremos mostrar a importância de estudar ficção seriada dentro da academia”, diz o integrante do Nefics Anderson Lopes. Segundo ele, a ideia é organizar eventos mensais até novembro. Há planos até de trazer uma palestrante de outro país. O objetivo é garantir maior visibilidade para o grupo.

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