Passos para a corrida: como começar a correr?

Conheça os cuidados necessários para praticar a corrida, esporte simples e cheio de benefícios

Por Natalie Campos

A corrida é um esporte simples, mas se engana quem pensa que para começar a correr basta calçar um par de tênis e ir para a rua. Responsável por inúmeros benefícios à saúde física e psicológica, a corrida pode causar sérios problemas se realizada sem a orientação de profissionais.

 

Antes de tudo, faça uma avaliação médica

Lesões, inflamações e fraturas por estresse são problemas relativamente comuns em corredores, mas se mostram ainda mais frequentes em quem começa a correr sem saber se está apto. A fisioterapeuta Jaqueline Amaral Boza orienta: um cardiologista da área de medicina esportiva é essencial — a corrida exige uma série de exames, como o de resistência cardiorrespiratória, o eletrocardiograma e a ultrassonografia. Além disso, é importante consultar um endocrinologista para checar a parte hormonal, vitamínica e realizar exames de sangue. “Toda atividade física precisa de uma avaliação médica. Os riscos podem ser um problema cardíaco, de coluna e em casos mais extremos até a morte súbita.”, explica a personal trainer, Cintia Frazon.

 

O médico deu O.K.? É hora de procurar um profissional especializado

Um personal trainer ou educador físico montará um treino específico para cada corredor de acordo com suas dificuldades, evitando que o aluno se machuque ou fique com vícios prejudiciais à saúde. Parte das atribuições do profissional é ensinar a técnica da corrida: “O ideal é manter uma postura: o olhar sempre voltado para frente, os ombros em uma linha horizontal sem oscilar e os braços em 90 graus, sem se cruzarem, na frente do corpo”, explica Frazon.

Nara Peterson corre desde os 28 anos de idade. Em ativa há 14 anos, não procurou um profissional ao iniciar e se

O Takeda é um dos grupos curitibanos que se reúne para correr durante a semana (Foto: Arquivo Pessoal)

arrepende. “Não foi uma boa decisão”, conta a estudante de Psicologia. Nara só aprendeu as técnicas da corrida após alguns anos, quando procurou assessoria. “Creio que meu progresso teria sido muito mais rápido e eu teria evitado muitas lesões”, explica.

Já Consuelo Ramos Sozzi, corredora há 15 anos, teve auxílio dos professores da academia ao iniciar. Seu objetivo era manter a saúde e a forma. “A professora da academia me orientou a correr devagar: quanto mais devagar eu corresse, mais gordura queimaria”, conta.

Logo, Consuelo começou a correr com a equipe de corrida de rua Takeda, na qual o corredor mais experiente atuava como orientador. Os treinos eram específicos para melhorar a performance esportiva, o que logo se tornou seu objetivo de treino.

Alguns anos depois, após a participação em mais de dez maratonas, a fonoaudióloga contratou uma assessoria esportiva, mas não se adaptou. Apesar de acreditar que sem um treinador o treino não é tão completo e que as chances de melhorar a performance são menores, Consuelo preferiu continuar o treinamento apenas com os colegas de equipe. “O assessor passa planilhas com objetivos e te cobra resultados, mas isso é algo que exige dedicação e você tem que fazer certinho, e eu não consegui isso”, justifica.

 

Por que começar a correr?

Aos 28 anos de idade, Nara perdeu sua mãe para um derrame fulminante. Com apenas 54 anos, sofrendo de pressão alta, diabetes e obesidade, sua mãe lidava com o estresse usando cigarro e comida, além de sofrer com ansiedade e ser sedentária. “Entendi que a forma como minha mãe morreu foi resultado de como ela havia vivido. Decidi que eu precisava viver de uma forma diferente para que meu filho, que tinha pouco menos de dois anos na época, jamais tivesse que perder a mãe dele da mesma maneira que eu havia perdido a minha”, relata a estudante.

Nara sente os benefícios da corrida: “Percebo mudanças na minha musculatura, pele, peso, força, disposição e energia”. O ar fresco e a beleza do parque São Lourenço, onde corre três vezes por semana, se juntam às endorfinas produzidas pelo exercício físico e proporcionam uma sensação de bem-estar e disposição. “Correr com amigos é terapêutico e divertido. Corrida realmente é mais barato e eficiente que terapia”, conclui a atleta.

Consuelo, que já correu 15 maratonas e se prepara para a 16ª, a Maratona de Nova York de 2017, se surpreende com os resultados. “Ao longo da vida, se manter correndo dá um pique para o teu trabalho, para fazer as coisas, uma disposição inacreditável: ficamos com uma saúde mais forte e muito mais resistentes a gripes e resfriados, além de começar a dormir e se alimentar melhor”, explica a fonoaudióloga.

Mas esporte simples não quer dizer fácil: a corrida exige muita força de vontade e determinação — bateu a preguiça só de ler essas palavras? A corrida também te ajuda a livrar-se dela. “A disciplina da corrida exige uma superação de limites. Depois que eu corri a minha maratona, passei a ver outros desafios da vida com menos medo e mais confiança”, explica Nara. Um personal trainer também pode ajudar com a motivação. “Se o clima não está muito bom ou se o aluno está cansado e pensa em não ir, ele comparece pelo compromisso com o personal e acaba se dedicando muito mais”, explica Frazon.

Qualquer um pode começar a correr e aproveitar esses benefícios, desde que liberado pelo médico. “Recomenda para todas as pessoas, da infância à terceira idade. O mundo deveria correr e ser mais feliz”, opina Jaqueline.

SalvarSalvarSalvarSalvar

You May Also Like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *