Pebas diverte e integra alunos de Direito da UFPR

Mesa “série A” é sempre bastante concorrida para partidas do Pebas entre as aulas  (Foto: Leticya Nogarolli)
Mesa “série A” é sempre bastante concorrida para partidas do Pebas entre as aulas
(Foto: Leticya Nogarolli)

Jogar o Pebas é uma tradição. E mesmo quando não se é aluno de Direito, o convite é feito. Quando se é apresentado a ele, parece um tanto quanto complexo, com tantas regras, nomes e jeitos de jogar. Mas aos poucos, a ideia vai tornando-se um pouco mais agradável, o que se deve principalmente pela receptividade que todos oferecem ali. Um esporte original, barulhento, divertido e que traz quase a mesma sensação que o Pebolim original. Quase.

O esporte praticado na sala da Associação Atlética Acadêmica de Direito da UFPR (AAAD) é uma “adaptação jurídica” do pebolim comum. A principal diferença é que se joga com três bolas em campo e o jogo termina quando uma das duas duplas consegue marcar nove pontos. Se forem nove pontos consecutivos, a dupla perdedora deve passar por baixo da mesa do jogo como punição ou, em termos jurídicos, coerção.

Isso menos, é claro, se o perdedor for do quinto ano, que tem imunidade, ou se for menina, que tem a opção de passar ou não. Caso o contrário, a “passagem” será por alguns dias comentada por todos os outros frequentadores.

Como toda boa tradição, ninguém sabe exatamente quando, por quê ou como surgiu. Há estimativas de que se aproxima dos 20 anos de existência. Apesar disso, sabe-se que o jogo é a melhor forma de conhecer colegas de outros anos e turmas e que ele está sempre sendo adaptado. Novas jogadas, nomes e manias são inventados e repetidos sem ter um motivo aparente.

O que importa mesmo é a diversão. Claro que algumas coisas são tradição e não mudam de uma hora para outra: as regras e punições, por exemplo, são sempre respeitadas “em honra” do Pebas.

Uma das jogadas mais clássicas é o elástico: quando uma das bolas para em alguma linha e, com um movimento rápido, a bola é puxada para o lado pela dupla adversária e vai direto para o gol.

Entretanto, nenhuma jogada supera a “Peta”. Ela acontece quando um dos jogadores bloqueia o chute adversário e marca gol logo em seguida. Nesse caso, o autor e qualquer um que tenha visto, até mesmo quem sofreu o gol, podem, e talvez devam, gritar como comemoração o nome da jogada. É uma das tradições.

“Pebas atrai pebas”

Essa é umas das frases mais repetidas na sala da AAAD, lugar no qual estão as três mesas de Pebas e uma de sinuca, que é deixada de lado. O bordão significa que, mesmo que não se tenha as duas duplas necessárias para a partida, elas logo chegarão guiadas pelos inevitáveis barulhos das jogadas e dos gritos dos jogadores que acabam sendo ouvidos pelas janelas das salas de aula que ficam logo acima.

Em pouco tempo na sala comprova-se que isto é verdade. De acordo com os alunos, é muito comum que o silêncio da aula seja interrompido pelos gritos e ruídos. Nessas horas, alguns aproveitam para sair da sala e praticar um pouco.

De acordo com Douglas Fernandes, presidente da AAAD, a frequência que se joga varia de acordo com o ano do aluno. “Os calouros e os alunos do segundo ano são os que mais jogam porque ainda estão num período mais tranquilo da faculdade. Como a partir do sexto semestre as coisas vão se complicando um pouco, diminui-se a frequência de jogo, mas quem gosta sempre arranja um tempinho”, diz.

De importância, o Pebas só perde para os Jogos Jurídicos na escala de diversão dos alunos do curso. E uma coisa que poucos sabem é que ele é praticado também nesse evento esportivo quando as equipes são eliminadas e sobra tempo para os “jogos de boteco”, de acordo com Douglas.

Os campeonatos acontecem no Prédio Histórico de duas a três vezes por ano, gerando disputas entre as “escolas” noturna e diurna que têm inclusive tendências diferentes de jogo. Enquanto a matutina é mais técnica e um tanto quanto mais calma, a noturna é mais agitada e agressiva.

O tradicional esporte tem a grande função de unir os alunos. Por isso, é apresentado logo no começo da semana do calouro, com demonstrações, aulas e explicações. Inclusive, nesse ano, foi confeccionado até um glossário para que os novatos aprendessem todos os termos do jogo.

Por causa do Pebas, a sala da Atlética é bastante receptiva a todos que quiserem jogar ou apenas assistir as partidas, mesmo os que têm pouca ou nenhuma habilidade. Qualquer aluno de qualquer curso, ou mesmo não alunos, podem se arriscar e inclusive participar dos campeonatos.

Todos os “especialistas” têm bastante paciência para explicar e ajudar, mesmo nas regras mais básicas, como a de não deixar os jogadores levantados durante o jogo. Portanto, vale a pena dar uma visita por lá para aprender o Pebas e conhecer gente nova. É diversão garantida.

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