PET de Direito traz discussão sobre mídia e democracia

1 Trechos do documentário foram exibidos para fomentar o debate (Foto_Larissa Raysel)
Trechos do documentário “O Mercado de Notícias” foram exibidos antes do debate. Foto: Larissa Prado

 

Aconteceu na última quinta feira, 23, às 18h, mais um PET Cinema, promovido pelo PET de Direito da Universidade Federal do Paraná. Cerca de 30 pessoas acompanharam a exibição de trechos do documentário “O mercado de notícias”, com direção e roteiro de Jorge Furtado e feito pela Casa de Cinema de Porto Alegre, seguida de discussão sobre mídia e democracia.

O Programa de Educação Tutorial é formado por estudantes em nível de graduação e procura unir ensino, pesquisa e extensão. Eneida Desiree Salgado, professora de Direito Constitucional da UFPR e tutora do PET, começou a trabalhar com os estudantes há poucas semanas e conta que com base na leitura do livro “Os inimigos íntimos da democracia”, de Tzvetan Todorov, pensou em montar um evento para falar sobre a mídia e representatividade, vistas pelo autor como seus inimigos por serem formadoras de uma opinião única e antidemocrática.

O filme mescla a apresentação da peça “O mercado de notícias”, escrita por Ben Jonson, dramaturgo inglês do século XVII que relata o início do jornalismo, e depoimentos de treze jornalistas brasileiros, que falam sobre a profissão e as mudanças no consumo de notícias e informações.

Usando a produção como gancho para a discussão acerca da mídia nacional e os efeitos que ela produz, o cientista político e professor da UFPR, Emerson Cervi, e a jornalista Daniela Neves conversaram com os que estavam presentes de maneira leve e trouxeram um pouco da história da imprensa e também considerações sobre a tão clamada imparcialidade e neutralidade da mídia.

Daniela lembrou momentos em que as linhas editoriais de jornais conhecidos foram claramente delineadas e defendeu que esse deveria ser o modelo adotado, a fim de ajudar o leitor a identificar qual a posição real do meio. O professor afirmou que a mídia não tem como ser imparcial, já que o próprio homem não o é.

Mariana Garcia Tabuchi, 23, estudante do quinto ano de Direito e participante do PET desde o ano de 2012, diz que o tema é importante porque o país vive uma efervescência política e a mídia sempre teve um papel importante na sociedade, pois propaga as notícias com interesses determinados. “A mídia e os meios têm de ser tratados como uma questão do Direito e uma questão da nossa sociedade. O curso de Direito tem a tradição de ser fechado em leis e textos, então é importante trazer essa discussão através do cinema, buscar outras formas de atingir o conhecimento”, defende Mariana.

Para Gerson Luis de Almeida Lobo, também do quinto ano, o debate foi bastante positivo porque proporcionou a troca de conhecimento de pessoas não só da área de Direito. “A principal contribuição do Direito é provocar o debate e depois mostrar um ponto de vista mais jurídico”, diz o estudante.

Sobre a possibilidade de futuros PET Cinema, Eneida afirma que o grupo já está debatendo sobre alguns filmes para novos eventos e que “a ideia é sempre trazer dois ou três professores, tanto do direito quanto principalmente de outras áreas, para ter outros olhares relacionados à questão da opinião pública, mídia e eleições”.

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