Pica-Pau (2017) | Nem para adultos, nem para crianças

Adaptação para os cinemas do clássico personagem falha em tudo o que tenta e é um dos filmes mais fracos do ano

Por Arthur H. Schiochet

Criado por Walter Lantz, em 1940, o “Pica-pau” fez muito sucesso no mundo todo durante gerações, principalmente no Brasil. O lançamento do filme de 2017 nos cinemas brasileiros e direto para home video nos Estados Unidos é uma prova disso. A produção já corre nos bastidores da Universal há muito tempo, mas, depois de uma série de problemas com o estúdio de animação Illumination (“Meu Malvado Favorito” e “Pets”), a decisão de filmar em live-action foi tomada. E isso foi péssimo.

O filme tem a história básica de um casal de vilões, Lance Walters (Timothy Omundson, da série “Galavant”) e sua namorada Brittany (interpretada pela brasileira Thaila Ayala). Eles querem construir uma casa dos sonhos no campo, mas precisam derrubar a árvore do Pica-Pau, que causa altas confusões.

A trama rasa e previsível já dá uma noção de como o filme se desenvolve. Assim como outras adaptações de desenhos clássicos em live-action, pouco se transporta da obra original e assim falha tanto para o público adulto que busca nostalgia, quanto das crianças, que hoje em dia consomem desenhos muito diferentes.

O roteiro é repleto de clichês, mas nenhum erro é tão grande quanto as piadas escatológicas. O filme transforma o Pica-pau em uma espécie de pomba, que vive defecando na cabeça e na comida dos vilões. Em outro momento o personagem tenta apagar um incêndio soltando pum no fogo.

As raras risadas que o filme provoca são todas involuntárias, seja pelo fraco CGI, que constrói um pica-pau com olhos assustadores de tão grandes e deslocados. Ainda soma-se a péssima interação do personagem com os atores. A dublagem clássica também faz falta. Por mais que Garcia Júnior, dublador do personagem na década de 70, não seja mais possível e o próprio desenho já tenha outras versões, a clássica risada fica totalmente destoante do resto da dublagem, que é muito fraca, com o áudio dessincronizado em palmas e batidas, por exemplo.

Fonte: Divulgação/Illumination

O valor de produção é baixíssimo, com um zoom digital no personagem que soa estranho no começo, mas incomoda a partir da quinta vez seguida em que o recurso é utilizado.

“Pica-pau” não apresenta nenhum de seus coadjuvantes conhecidos, como Zeca Urubu e Pé de Pano, algo que poderia acalentar e entreter um pouco o público nos cerca de 90 minutos, que demoram muito para passar. As piadas são fracas e não arrancam risada nem do público menos compromissado. Falta uma dose de loucura. Ainda mais quando falamos do pica-pau, retratado como um maluco na série clássica e suavizado nas temporadas dos anos 2000, que ainda assim têm muito mais aspectos positivos que o filme. A melhor coisa do longa é a trilha sonora marcante do desenho, mas é só.

Vazio, sem graça, clichê e mal-feito. Assim pode se resumir a tentativa de trazer o Pica-pau para outra mídia. O maior destaque do filme é conseguir ser a pior adaptação de um desenho para live-action, transformando filmes fracos como “Smurfs” e “Garfield” em bons “Sessão da Tarde”. Para alguém que cresceu com o desenho, “Pica-Pau” chega a ser ofensivo, sem nenhum valor a ser destacado.

 

Nota: 1

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