Piscinas da UFPR estão paradas há mais de 4 anos para reformas

O complexo de piscinas da universidade, localizado no campus Politécnico, está sem utilização desde que se iniciou uma reforma para ampliação do espaço

 

Por Jessica Skroch

O complexo de piscinas do Centro de Educação Física e Desportos (CED) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no campus Politécnico, não é utilizado desde 2013. O local  passaria por uma pequena reforma para construir uma arquibancada que possibilitasse eventos com público assistindo às atividades e uma sala de aula próxima a piscina para as aulas teóricas de atividades aquáticas, pois o Departamento de Educação Física, que fica no campus Botânico, é distante do CED.

Além disso, uma parede da casa de máquinas seria refeita. As obras durariam 6 meses até que tudo estivesse pronto para uso, de acordo com o projeto inicial, mas esse tempo foi excedido. O prazo de vigência do contrato- 13/05/2013 a 06/02/2014- com a empresa Engedat Construção, responsável pelas obras, foi prorrogado por mais 60 dias, como tentativa de terminar a construção a tempo, o que não foi suficiente.

Segundo Ruth Cidade, ex-chefe do DEF, a empresa abandonou a obra. “A empresa não estava cumprindo o contrato. De vez em quando alguém vinha e fazia alguma coisa pequena. O local ficou cheio de lixo. Uma coisa horrível de se ver”. A justificativa da Engedat foi de que não estava recebendo os pagamentos relativos ao trabalho e por isso não continuou com a reforma. A empresa entrou com uma apelação cível contra a UFPR em maio de 2014, na qual pedia a rescisão dos contratos de prestação de serviços e o pagamento de indenização pelos danos morais devidos à inadimplência da universidade. A contratada alegava que não recebia os valores desde dezembro de 2013 e que por essa razão não conseguia continuar os serviços e reparos.

Segundo o Superintendente de Infraestutura da UFPR, Sérgio Braga, há a possibilidade de comprometimento das paredes se os andaimes deixados no local forem retirados (Foto: Jessica Skroch)

A UFPR, por sua vez, responde que a inadimplência contratual começou com a empresa, que “executou parcialmente o objeto do contrato e de forma irregular e morosa”. De acordo com a equipe técnica da UFPR, a empresa não cumpriu as metas previstas no cronograma físico e financeiro já no segundo mês de trabalho. Além disso, não apresentou o Seguro Garantia, usado para assegurar o cumprimento do contrato. A UFPR complementa que não era obrigada a pagar nenhum valor antes da execução das obras. O responsável pela empresa Engedat não foi encontrado pela reportagem para explicar sobre o processo.

A reforma previa a ampliação com uma sala de aula, destinada às aulas teóricas de atividades aquáticas (Foto: Jessica Skroch)

Durante o tempo do processo, não era possível mexer na obra. Ruth explica que durante sua gestão, tentou manter as dependências da piscina limpas e arejadas, e pedia para que as torneiras e chuveiros fossem abertos para evitar o ressecamento dos encanamentos, ações para minimizar o desgaste de uma estrutura com 3 piscinas. Depois que a empresa não estava mais como responsável, a ex-diretora conta que foram retiradas pelo menos 7 caçambas de lixo dos restos que a empresa deixou.

Ela também conseguiu uma empresa, que precisava também passar pelo processo de concorrência pública, para limpar a piscina e manter o nível da água. “Justificar a limpeza de uma coisa que não está sendo usada não é nem um pouco fácil” relembra Ruth. A professora ressalta que os trâmites do pregão são demorados, e isso também estendeu o tempo da piscina parada.

Desde 2013, as aulas que requerem uma piscina foram feitas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a partir de um contato pessoal do professor Paulo Bento, chefe do DEF, sem custos e sem nenhuma intervenção institucional. Filipe Tiago Guerra, estudante do oitavo período de Educação Física, explica a dificuldade do cotidiano: “Muita gente não gostava e tinha dificuldade de ir para a PUC, porque tínhamos uma aula antes e demorava 30 minutos até chegar lá. Nem todo mundo tem carro ou consegue carona”. Como o empréstimo deveria durar apenas 6 meses, mas durou três anos e meio, hoje as atividades aquáticas da graduação, extensão e pesquisa têm um convênio com a piscina da Associação dos Servidores da UFPR (ASUFEPAR).

As obras seguem sem uma mudança desde que a empresa paralisou o serviço (Foto: Jessica Skroch)

Paulo complementa que apesar da gentileza desses lugares, não ter uma piscina própria da universidade limita a liberdade dos que participam das atividades, por ser preciso haver adequação de horários e espaço com o que é cedido. André Capraro, diretor do CED, reclama que “uma universidade do tamanho da nossa, é inconcebível que não tenha uma piscina”. Paulo Bento também reforça que  a piscina é imprescindível para a formação em educação física, visto que há um forte mercado de trabalho para os profissionais da área.

Além das aulas da graduação, eram realizadas ações dos projetos de extensão e de pesquisa nas piscinas e aulas de natação e hidroginástica para a comunidade externa. André conta que as aulas tinham valor simbólico, mas que eram a principal fonte de arrecadação que sustentava a estrutura do CED. Sem as aulas, os recursos ficaram comprometidos. Estima-se que 500 pessoas usufruíam das piscinas antes da paralisação.

No projeto de 2013, estava prevista a construção de uma arquibancada na lateral da piscina maior (Foto: Jessica Skroch)

Paulo Bento, também professor da disciplina de atividades aquáticas, conta que durante todo o tempo houve muita insistência com a reitoria para que as obras se concretizassem. Ele e Ruth explicam que foram realizadas várias reuniões no gabinete do ex-reitor Zaki Akel Sobrinho. Até um abaixo assinado foi feito em conjunto com os alunos, mas não teve resultados.  Mesmo após o término da pendência judicial, Paulo diz que foi uma “questão de prioridades da universidade. A gestão anterior não colocou recursos para a reforma retomar”. Segundo ele, a retomada das obras foi uma promessa de campanha da gestão atual. Já foi autorizada pela Superintendência de Infraestrutura (Suinfra) da universidade, a realização de um novo orçamento da obra. Para Paulo, numa perspectiva bem otimista, em um ano e meio a reforma e a ampliação podem ser finalizadas.

Segundo o professor Sérgio Braga, Superintendente de Infraestrutura, o tema foi levado para a Procuradoria Federal para que algumas dúvidas jurídicas sejam sanadas. O maior empecilho é que a empresa Engedat faliu, e não pode mais responder como tal. Depois de superadas as dificuldades jurídicas seria possível seguir para a abertura de uma nova licitação.

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