POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS: Uma análise

A pré-estreia contou ícones da operação e com cerca de 2 mil convidados, mas o filme está longe de ser uma grande produção cinematográfica

Por Gabriel Muxfeldt

Ocorreu na noite do dia 28 de agosto a pré-estreia e cerimônia de lançamento do filme “Polícia Federal – A Lei é para todos” no Cinemark do Park Shopping Barigui. O evento contou com a presença de atores globais, pessoas envolvidas na operação Lava Jato, além da imprensa e do restante dos quase 2 mil convidados – 8 salas foram reservadas para a primeira exibição pública do longa-metragem.

Figuras conhecidas da operação, como o juiz Sérgio Moro e o procurador Daltan Dallagnon também estiveram presentes, mas procuraram por entradas alternativas e não quiseram falar com a imprensa. Baseado nos eventos da Operação Lava Jato, o filme narra desde a primeira até a 24ª fase, batizada de “Aletheia” e marcada pela condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O delegado da Polícia Federal e chefe da operação, Igor Romário de Paula, afirmou ao portal UOL que o lançamento do filme reforça a mensagem de que a Operação Lava Jato deve continuar: “A ideia é essa: levantar a discussão, como o filme mostra. Nós mostramos um pouco do nosso trabalho e sabemos que um dos personagens centrais representa vários delegados”.

Diferente do trailer empolgante e cheio de ação, o filme não chega a ser surpreendente. A apresentação e a montagem, que não são exemplo de qualidade técnica, deixam a desejar na medida em que fica clara a parcialidade da produção, ainda que mascarada. Outro ponto que não pode deixar de ser avaliado é a presença de atores já consagrados nas novelas da Rede Globo, talvez até para aumentar a identificação do público com a obra.

Fica evidente a tentativa dos produtores em esquivar-se deste tipo de crítica ao inserir diálogos que têm o objetivo de anular essa questão bem claro. Como exemplo, a pergunta de uma jornalista ao delegado Ivan Romano (representação do delegado Igor de Paula): “Vocês estão tentando destruir o PT?” respondida pelo personagem de Antonio Calloni com: “Não estamos investigando o partido, estamos investigando os fatos”.

A tentativa de mostrar os bastidores da maior operação anti-corrupção não chega a dar origem a um filme que se possa considerar político ou partidário. Mas também não é possível afirmar que o longa realmente cumpre com o propósito de levantar a discussão ao redor do tema. É uma produção carregada de características das novelas da Globo e não apresenta muito além dos estereótipos já criados no imaginário popular.

A única personagem que se destaca na defesa do ex-presidente Lula é retratada como uma blogueira. Enquanto que trechos de gravações reais da grande imprensa são utilizados para reafirmar a culpabilidade dos indiciados. São pequenos detalhes da montagem que levam o espectador a idolatrar os “mocinhos” e odiar os “vilões”, não abrindo espaço para uma reflexão de fato construtiva sobre o tema.

O papel do ex-presidente Lula, interpretado por Ary Fontoura, é uma representação falha que beira o cômico. A delegada interpretada por Flávia Alessandra não cumpre com a finalidade de representar as mulheres envolvidas nas investigações – como afirmou a atriz no início da exibição – já que não passa de uma coadjuvante no filme. Além disso, até o “Japonês da Federal” recebeu um personagem, o que também aponta para a superficialidade da película, que não se aprofunda nas dificuldades e méritos da investigação.

O final do filme nos deixa com a sensação de que agora temos um país limpo, livre de empresários e políticos corruptos que estão pagando por seus crimes de forma adequada. No entanto, a realidade não é bem essa, tendo em vista que muitos deles foram condenados à prisão domiciliar em suas mansões e sua punição já cai no esquecimento.

É fato que o povo brasileiro quer entender de que forma se deu essa operação que levou os “peixes-graúdos” do país para a prisão. A apelativa da produção, que chegou a instalar montanhas de dinheiro falso em uma praça curitibana na manhã da exibição também contribui para gerar o interesse do público.

A estréia, marcada para o feriado de Independência (7 de setembro), entrega  o primeiro filme de uma (provável) trilogia – a dependender de como os eventos da operação irão segui. Torço para que os próximos sejam melhores, já que este está longe de ser um grande filme.

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