Pólo de brechós no centro de Curitiba une o antigo à novidade

Região no bairro São Francisco abriga lojas de roupas seminovas para públicos variados

Por Rebeca Bembem

A região da Rua Mateus Leme, próxima ao Shopping Mueller, no bairro São Francisco em Curitiba, abriga em torno de 20 brechós. São lugares que compram e vendem roupas seminovas a preços mais acessíveis que lojas tradicionais. Os brechós lotam a rua e são dos mais variados tipos: desde entulhados de peças com corredores estreitos, a lojas decoradas e algumas que parecem combinar com o interior de um shopping.

O Jornal Comunicação visitou alguns desses brechós durante uma tarde de quarta-feira. O tempo não foi suficiente para conhecer todas as lojas da região, mas bastou para compreender como funcionam esses estabelecimentos e perceber as semelhanças e diferenças entre eles.

Os proprietários declararam ter clientes fixos, que visitam a loja toda semana – em alguns casos, todos os dias – tanto para vender quanto para comprar peças. Conhecer o gosto do cliente permite aos vendedores saber o que vale a pena comprar. A maior parte das peças dos brechós é comprada por lote de clientes conhecidos. O que fica muito tempo na loja e não é vendido geralmente é doado para instituições de caridade.

As lojas vendem roupas, calçados, acessórios e até os itens da própria decoração. Os brechós infantis vão além: brinquedos, carrinhos de bebê, bonecos e fantasias. De acordo com os proprietários, o lucro é de 100% na maioria das vezes. Por isso, para manter o preço baixo e a identidade de brechó, mesmo as roupas novas que chegam às lojas são vendidas a preço de usadas.

Os preços variam muito de um brechó para outro. Brechós mais tradicionais, como o Brechó Stilo, vendem peças entre R$10 e R$130, sendo que as mais caras são poucas e muito específicas. O Libélula Brechó é mais decorado, tem estilo próprio e é voltado a um público mais retrô. Na loja, as peças têm a média de preços entre R$49,90 e R$59,90. Na região também é possível encontrar um bazar, em que qualquer roupa é vendida por R$2.

Todos os proprietários disseram não comprar roupas com defeito. Eles buscam manter uma boa relação com os vizinhos do ramo, pois acreditam que seja importante para o consumidor. Segundo os vendedores, ter um brechó já foi mais lucrativo. Hoje, é um negócio cansativo e que se estabiliza com o tempo a partir da construção de uma clientela.

Abaixo estão os brechós que o Jornal Comunicação visitou:

Brechó Stilo

O Brechó Stilo existe há dez anos, sob o comando de Andrea Nonato, que herdou o conhecimento sobre a área do pai (Foto: Rebeca Bembem)

Andrea diz que tem entre suas clientes advogadas, promotoras e médicas, mas que as peças não giram tanto quanto há alguns anos (Foto: Rebeca Bembem)

Libélula Brechó

Com duas lojas na Mateus Leme, o Libélula se destaca pela sua unidade voltada à moda retrô (Foto: Rebeca Bembem)

A loja vende roupas de marca a preços mais parecidos com os de loja de departamento (Foto: Rebeca Bembem)

A decoração do Libélula combina com o estilo das peças vendidas na loja (Foto: Janyne Leonardi)

Segundo Barbara Luiza, que trabalha na loja há 3 anos, a maior parte do que não é vendido no Libélula é doado para a Cruz Vermelha (Foto: Janyne Leonardi)

O Libélula já recebeu as roupas do exército de um soldado que lutou no Oriente Médio –  elas foram vendidas (Foto: Janyne Leonardi)

Brechó Infantil Tre Le Le

Fernanda Zanetim, 17 anos,  filha da proprietária, afirma que as peças mais vendidas são roupas para meninos e peças de inverno (Foto: Rebeca Bembem)

As fantasias vendidas são novas e muito procuradas pelos clientes do brechó, principalmente em época de Halloween  (Foto: Rebeca Bembem)

Brexó Casarão

Edna Nonato, proprietária da loja, trabalha com brechós há 22 anos – diz que entrou no ramo por necessidade e que aprendeu a gostar com o tempo (Foto: Rebeca Bembem)

Edna afirma que seu brechó tem preço para todos os gostos e que seus clientes incluem várias classes sociais (Foto: Rebeca Bembem)

A prática desenvolveu em Edna o olhar apurado e exigente para escolher que peças quer comprar (Foto: Rebeca Bembem)

É comum que as pessoas esqueçam dinheiro em peças vendidas – como R$5 mil em uma bolsa e US$4 mil em um paletó – os brechós só conseguem devolver quando conhecem o cliente (Foto: Rebeca Bembem)

Bazar São Francisco

A rede de Brechós São Francisco colocou em um bazar o  que não foi vendido em suas lojas: qualquer peça de roupa por apenas R$2 (Foto: Rebeca Bembem)

Brechó São Francisco Masculino

O brechó vende roupas e acessórios que combinam com seu estilo rústico e chama a atenção pelos grandes tonéis de ferro que são usados como provadores (Foto: Janyne Leonardi)

Brechó São Francisco Feminino

Segundo Rosângela Franco, gerente da loja, o brechó trabalha com peças de melhor qualidade e tem muitos atores e atrizes entre seus clientes (Foto: Janyne Leonardi)

A loja tem muitas peças de marca e, por isso, os preços variam muito. Porém, de acordo com Rosângela, o valor máximo do que está nas araras é R$120 (Foto: Janyne Leonardi)

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