Preços altos marcam transporte alternativo em Curitiba e RMC

Vans e carros alternativos cobraram cerca de 120% a mais do que a tarifa do transporte coletivo. Foto: Everson Bressan/SMCS

A Urbanização de Curitiba (Urbs), responsável pela manutenção do sistema de transporte coletivo da cidade, efetuou o cadastro de carros e vans particulares para transportar passageiros e utilizar as canaletas do expresso. A medida foi uma resposta à greve dos trabalhadores do setor, iniciada na madrugada desta quarta-feira (26). A notícia empolgou os motoristas particulares. Até o fim da manhã, cerca de 180 veículos já haviam passado pela rodoferroviária, onde agentes faziam o cadastro dos interessados após uma vistoria obrigatória e a checagem dos documentos dos condutores.

As vans autorizadas estão estrategicamente posicionadas próximo a estações-tubo e pontos de ônibus do centro de Curitiba. A maioria dos motoristas opta por cobrar o preço máximo permitido pela Urbs, de 6 reais por passageiro. Entretanto, é possível encontrar quem ofereça o serviço a 5 reais próximo à Estação Central, dependendo do trajeto a ser percorrido. O valor representa um aumento de 122% em relação à passagem do transporte público convencional.

Para o motorista Josué Alves da Silva, o preço estaria afastando a clientela. Parado com sua van na Praça Rui Barbosa desde as dez da manhã, Silva ainda não havia transportado nenhum passageiro até as duas da tarde. “O povo vem, pergunta o preço e vai embora. Não percebem que vão gastar muito mais se forem de táxi”, reclama. As suspeitas de Josué são confirmadas pela vendedora Andressa Tavares, que preferiu fazer a pé o trajeto da Praça Santos Andrade, no Centro, até o Cabral. “Prefiro ir andando do que pagar o que estão cobrando. Talvez compense para quem mora longe e gastaria muito mais usando outro meio de transporte”, pondera.

Filas grandes, lucros nem tanto

Já nos pontos e centrais de táxi, o movimento é grande, com filas de espera  nos principais serviços de rádio-táxi. No entanto, segundo o taxista Luiz Kuster, os engarrafamentos ocasionados pela falta de ônibus fazem com que os lucros não sejam tão altos. “Chega muita gente, mas o trânsito está uma bagunça e o tempo que perdemos acaba fazendo com que não ganhemos tanto”, diz. Outro problema apontado pelos profissionais é a divulgação de informações divergentes entre si, o que acaba confundindo os motoristas. “Disseram que podíamos usar as canaletas para facilitar, mas depois ficamos sabendo que multaram alguns colegas que estavam fazendo isso”, afirma o taxista Rubens Antônio Cavaleiro.

Veículos de passeio sem a autorização apropriada são proibidos de circular nas canaletas e estão sujeitos a multa, conforme previsto no artigo 184 do Código Brasileiro de Trânsito. Porém, não é difícil ver motos e carros sem a placa que identifica motoristas autorizados pela Urbs seguindo pelas vias exclusivas para ônibus.

De acordo com informações da Prefeitura de Curitiba, agentes da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) orientam o trânsito em diversos pontos da cidade, incluindo a fiscalização de eventuais carros particulares não-autorizados que estejam trafegando em canaletas. A Polícia Militar está responsável pela checagem de autuações irregulares de taxistas e motoristas devidamente cadastrados.

Panorama

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus começou por volta das 0h35 desta quarta-feira e ainda não tem previsão para acabar. Os trabalhadores reivindicam aumento de salário de 16% para motoristas e 22% para cobradores. Agora há pouco, o Tribunal Regional do Trabalho determinou que pelo menos 30% dos ônibus devem circular. Nos horários de pico, 40% da frota deve estar nas ruas. Caso o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) desacate a decisão, a multa é de R$100 mil por dia.

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