Professores estaduais são atacados pela polícia em protesto

A tarde desta terça-feira (29) foi de tensão nas mediações da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Mais de 200 pessoas ficaram feridas durante conflito que se instalou após a proibição da entrada de professores  na sessão que aprovou mudanças na Paraná Previdência. O governador do estado, Beto Richa (PSDB), considerou a atuação da PM como uma “reação natural”.

(Foto: Gabriel Dietrich)
(Foto: Gabriel Dietrich)

 O CONFLITO

No segundo dia de manifestações contrárias as mudanças na previdência, professores e outros servidores se concentravam na Praça N. Senhora da Salete, em frente à Assembleia. O cordão de isolamento da PM cercava a praça, impedindo o ônibus do sindicato de entrar e impedindo os manifestantes de ocupar o prédio da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Enquanto isso, os manifestantes, também compostos de professores de escolas particulares e estudantes, organizavam-se. Copos de água eram distribuídos de graça e, quando vazios, eram jogados em caixas para não poluir a praça. Várias bandeiras foram levantadas na frente do prédio da Assembleia. Entre os manifestantes já se podia ver pessoas com o rosto todo coberto.

Mesmo aos gritos contra o projeto de lei e o governador Beto Richa, ouviu-se dos megafones que a votação não seria adiada. Por volta das 14h, quando a notícia foi dada,  houve uma tentativa por parte dos manifestantes de entrar na Alep  pulando as grades. Era possível sentir os policiais impedindo o avanço dos manifestantes. As bombas de efeito moral e as bombas de gás lacrimogênio afastaram a multidão e foram jogadas em grupos de pessoas que já haviam recuado, muito além da Alep, da PM e das grades.

Por muito tempo a polícia bombardeou a praça sem parar. O ônibus do sindicato pedia para que  os manifestante parassem de avançar, pela quantidade de gente ferida . A ambulância não conseguia passar por causa da multidão. Ouviam-se muitos gritos: “Covardes!” para os policiais, “Beto Hitler” para o governador. Muitas pessoas na Prefeitura e no Palácio do Governo assistiam ao conflito das janelas.

Professores, servidores, jornalistas e estudantes tentaram voltar à frente da Alep para continuar a manifestação, sem avançar na polícia. As bombas não deixavam. Manifestantes bastante agressivos , dificultavam um protesto mais seguro. Eram jogadas pedras, cadeiras e bombas de tinta nos policiais e um caminhão  jogava água nos escudos para tirar a tinta. A polícia bateu e soltou os cachorros nos manifestantes como reação. Por volta das 17h, a movimentação se dispersou.

VOTAÇÃO

As mudanças no fundo implicam em uma transferência de quase quatro mil aposentados do estado do Fundo Financeiro, custeado pelo governo do estado, para o de Previdência, bancado pelos próprios servidores. Enquanto os professores alegam que a medida pode comprometer o futuro da previdência, o governo garante que repasses futuros evitarão balanços negativos.

O artigo 80 do regimento interno da Assembleia Legislativa do Paraná garante que tanto as Sessões Ordinárias como as Extraordinárias serão públicas, mas poderão ser secretas, quando assim for deliberado pelo Plenário. A votação final do plano vai ser votada na quinta (30) .

SAIBA MAIS

Confira a galeria fotográfica exclusiva do Jornal Comunicação sobre o confronto de quarta-feira clicando aqui.

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