Programa de Educação Tutorial promove formação e integração com a comunidade

Ações do PET aliam o três pilares da UFPR: Ensino, Pesquisa e Extensão universitárias


Por João Cubas

O Programa de Educação Tutorial (PET) existe desde 1979 e tem o objetivo de propiciar aos alunos de graduação a prática simultânea de Ensino, Pesquisa e Extensão. Atualmente, o PET é mantido com recursos do Ministério da Educação e conta com 842 grupos no Brasil, sendo 22 na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Neles, sob a orientação de um professor-tutor, os estudantes realizam ações com a comunidade interna e externa do curso, e enriquecem significativamente suas próprias formações.

Um exemplo é o do PET-Elétrica da UFPR. Um dos mais antigos da instituição, existe há 25 anos e promove, entre outras ações, o Magnetizar – um projeto com visitas guiadas, nas quais estudantes de Ensino Médio conhecem as instalações do curso e têm uma noção do que é a Engenharia Elétrica. “Nessas visitas, oferecemos oficinas práticas de eletrônica para tornar nosso curso mais atrativo”, conta Bruno Yuji Tarui, aluno bolsista do programa há dois anos. “A gente, no início, não sabe muito que fazer, mas depois que eles nos mostram, nos tornamos mais motivados”, relata o aluno Walter Bastos Pfeffer, que participou da Semana de Atualizações em Engenharia Elétrica (SEATEL) – outro evento do PET-Elétrica, que é focado em treinamentos e oficinas para estudantes da universidade.

 

 

 

O PET Elétrica oferece oficinas de protótipos, onde estudantes podem produzir ferramentas que serão úteis durante o aprendizado durante a graduação (Foto: Blog PET-Elétrica)

 

No PET-Computação, um dos destaques são as aulas de informática oferecidas a estudantes refugiados. Desde 2013, o ensino já beneficiou gente vinda do Haiti, da Síria e também da Ucrânia. “Os próprios alunos manifestaram interesse, uma vez que os conteúdos dos cursos destes países não servem no Brasil”, explica a estudante de Ciência da Computação Letícia Pasdiora.

Os benefícios do PET vão além da comunidade interna da UFPR. O PET-Educação Física realiza, desde 2010, atividades na Vila Audi, em Curitiba. “Nosso objetivo é incentivar o uso dos equipamentos de esporte e lazer. Em Curitiba, temos muitos espaços, mas muitas vezes, eles não atendem os interesses da comunidade”, explica a professora-tutora Simone Recchia. A partir deste ano, outras comunidades carentes estão sendo mapeadas pelas dez regionais da cidade e serão contempladas com o programa.

 

Formação profissional

Ser um “petiano”, como se autorreferem os participantes, pode ser decisivo na vida acadêmica e profissional. É o caso de Luís Lolis, professor-tutor do projeto de Engenharia Elétrica. Graças à participação no PET durante a graduação, conseguiu fazer doutorado na França e tornar-se professor da UFPR ao retornar. “O PET foi a primeira grande etapa da minha carreira profissional, foi onde pude adquirir senso crítico, cívico e profissional, que meus colegas não tinham no mesmo estágio onde estávamos na graduação”, recorda.

Mariana Carmin, estudante de Informática Biomédica que participa do PET-Computação, tem a oportunidade de fazer algo que vai além da sala de aula. “Tive que aprender a ensinar informática nas escolas, com brincadeiras. Nosso desafio é aplicar a informática em outros lugares e de maneiras diferentes da tradicional, estimulando a criatividade. Tem a parte do ensino, mas também é um aprendizado para os alunos que trabalham”, justifica.

 

O Projeto Vila Sustentável, na Praça da Vila Audi, em Curitiba, motivou a estudante Bruna Helouise Santana a seguir a carreira na Educação Física (Foto: Igor Alencar, PET-Educação Física)

 

Neste sentido, a estudante de Educação Física, Joana Caroline Correa da Silva, relata que as intervenções feitas nas escolas trazem uma formação mais completa. “Liderar um grupo, orientar as pessoas é uma grande motivação para a vida em geral, pois assim não temos apenas uma formação acadêmica, mas também cidadã”, pondera.

 

Reconhecimento

Para a professora Simone, um dos desafios do PET é a falta de reconhecimento institucional. Um exemplo são as bolsas ofertadas para os alunos, que têm trabalho triplo (de Pesquisa, Ensino e Extensão), porém recebem o mesmo que outro bolsista que esteja trabalhando em apenas um projeto direcionado, como os de Iniciação Científica. “O tutor tem que motivar para que os alunos trabalhem como um todo, fomentar a discussão de que não é a bolsa que está em jogo, mas a formação”, lamenta.

Além da Vila Audi, o PET-Educação Física realiza atividades em outros locais, como a Praça Santos Andrade (Foto: Igor Alencar, PET-Educação Física)

 

Apesar dos desafios, o reconhecimento está na atuação junto à comunidade. Bruna Helouise Santana conheceu o PET-Educação Física através de uma das intervenções em frente à sua casa, em 2015. “A partir das melhorias, outras pessoas conheceram e começaram a utilizar do espaço de maneira mais saudável e produtiva. A praça, que antes era conhecida como ponto de drogas e prostituição, agora é sinônimo de saúde, diversão, família e amigos”, conta. Esta visão diferente da profissão a motivou tanto que hoje ela é estudante do curso. “O programa PET transformou o meu cotidiano através desse favor à comunidade”, justifica.

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