Projeto criado por alunas da UFPR presta apoio a vítimas de estupro

O projeto Pra Salvar Seu Coração é um grupo de ajuda às vítimas de estupro, criado por alunas de psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A principal intenção é “voltar o olhar para a vítima e essa ferida que ficou com ela, nosso objetivo é ser um resgate da empatia da sociedade”, conta Vanessa Fiuza, a criadora do projeto.

A iniciativa surgiu como resposta a um crime ocorrido há 3 anos no Rio de Janeiro, conhecido como “Van do Terror”. Uma intercambista americana (21) e seu namorado francês (22) foram vítimas de um assalto e sequestro relâmpago. Durante o sequestro, a estudante foi violentada por três homens e um adolescente, na frente do namorado.

O caso repercutiu na mídia internacional e motivou Vanessa a criar o projeto no mesmo ano. “Acho que é algo que acrescenta não só à minha carreira profissional como psicóloga, mas como pessoa e como mulher principalmente. Eu sinto que com o projeto estou contribuindo para uma melhoria e isso me motiva a estudar cada vez mais, para entender melhor o que está acontecendo”, conta.

Atualmente, o grupo atua com atendimento em uma casa de acolhimento, através de uma parceria realizada com um abrigo para mães de até 18 anos. Nesse lar, elas têm a oportunidade de estar com seus filhos, o que não acontece na maioria das casas de acolhimento.

O Pra Salvar Seu Coração está tentado mostrar que essas mães não estão sozinhas e relatam a realidade delas. “Muitas vezes não tem como saber se aqueles filhos foram fruto de abuso, pois as mães se fecham muito. Elas são muito unidas e se apoiam entre o grupo”, contam as integrantes.

A equipe foca bastante em autoconhecimento e identidade, falar sobre abuso sem ser direto demais e sem obrigar as vítimas a relembrar o que aconteceu. “Muitas não denunciam, muitas têm até vergonha de denunciar”, afirma Nathalia Kauer, integrante do projeto.

O projeto conta com 10 participantes e é multidisciplinar, tendo alunas de vários cursos, como Direito, Psicologia, Comunicação e Engenharia. Cada uma busca colaborar de acordo com sua área de atuação. Além disso, recebe apoio e orientação de Jeniffer Tavares, psicóloga jurídica da PUC-PR e Cindy Vaccari, mestranda da UFPR.

O grupo também se posicionou, através do Facebook, sobre o caso do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro este ano— uma garota de 16 anos estuprada por mais de 30 homens. “Hoje todos sentimos dor, tristeza, sensação de impotência. Todos os integrantes do projeto desejam força para essa menina, que ela saiba que ainda existem pessoas que não ficarão caladas diante de situações como esta. Pessoas que acreditam em justiça. Pessoas que jamais deixarão de lutar contra o machismo”, diz a mensagem.

Para mais informações sobre o projeto e violência sexual, acesse a página do facebook do grupo Pra Salvar Seu Coração.

O que é considerado estupro segundo o código penal?

Segundo a Lei Nº 12.015, de 7 de Agosto de 2009, Art. 213, estupro é constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que com se pratique outro ato libidinoso. Isso significa que qualquer ato de teor libidinoso, ou seja, relativo à prazer, ou apetite sexual (seja ele beijo, sexo oral, relação com ou sem penetração), praticado sem consentimento, ou quando a vítima não possui condições de consentir, é estupro e, portanto, crime contra dignidade sexual, abuso e violência. Além disso, segundo o Art. 218, da mesma lei, quando praticado contra vítimas menores de 14 anos, caracteriza-se como crime contra vulnerável.

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