Quem é Stephanie Dahn, a nova vice-diretora do Sacod

Atualmente coordenadora do curso de Artes Visuais, ela se prepara para o novo desafio que começa no próximo ano

Por Vinícius Moschen

“Eu não sou artista. Eu falo e ensino sobre arte”. É assim que a vice-diretora da chapa ConTextura, Stephanie Dahn Batista, define o seu trabalho de docente universitária e coordenadora de curso. Com 70% dos votos na eleição realizada no dia 22 de novembro, ela vai assumir, no início do ano letivo em 2018, um cargo ainda mais abrangente no Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) da Universidade Federal do Paraná (UFPR): junto com a futura diretora Regiane Ribeiro, fará parte da gestão que fica no poder até 2021. Ainda assim ela continuará sendo professora de História da Arte, assunto que já é centro de discussão e estudos em sua vida desde o início da carreira acadêmica. Ela também ministra aulas e acompanha de perto os vários projetos desenvolvidos pelos alunos no Departamento de Artes da universidade (DeArtes).

Stephanie e sua colega de chapa, Regiane Ribeiro (foto: arquivo pessoal)

Nascida na Alemanha, apaixonada pelo Brasil

Stephanie nasceu em Hannover, cidade no norte da Alemanha, e foi lá mesmo que ela descobriu seu interesse pelo país onde mora hoje. Na época do colégio, entrou para um grupo chamado “Iniciativa do Brasil”, onde aprendeu sobre a sua história e a sua cultura. A curiosidade crescente pelo país a levou, juntamente com os outros membros, a arrecadar dinheiro para cruzar o oceano e aterrissar nas terras sul-americanas.  Entre várias formas de juntar o necessário, ela vendia bolo e café para os pais dos alunos.

Com o apoio da escola, logo conquistou seu sonho. Aos 16 anos conheceu o Ceará, onde vivenciou uma rotina completamente distinta da qual estava acostumada. “Sou uma menina da cidade, e lá a gente viveu uma experiência do rural. Aprendi a bater arroz, vendi cachaça. Uma vida de pequena vila do sertão,” conta ela.

A primeira visita marcou o início da paixão de Stephanie pelo Brasil, sentimento que se estenderia durante toda a adolescência. A professora conta que o que mais chamou sua atenção naquela viagem foi a hospitalidade do povo nordestino.“A cordialidade das pessoas, a leveza da cultura brasileira me cativou,” declara. Foram bons momentos que ficaram para sempre na memória quando voltou para a Alemanha. Na sua terra natal ela terminou a sua formação e constituiu uma vida com seu marido, o brasileiro José Batista Rodrigues.

No entanto, logo estaria de volta na América. Em 2003 uma crise no fornecimento de bolsas de doutorado, eles resolvem desvendar o que o Brasil tinha para oferecer na área, e foi assim que ela conseguiu um emprego como professora substituta no Departamento de Artes da UFPR.

A relação com a língua e arte brasileiras

Stephanie fez sua dissertação sobre o Modernismo Brasileiro no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP). Inevitavelmente, teve algumas dificuldades com o português, das quais se lembra com bom humor: “Imagina, ‘alemoa’ com sotaque do Ceará. Oxente!”. Lá, estudou o arquivo pessoal de Anita Malfati, focando na Semana de Arte Moderna de 1922. Foi um meio de juntar a arte, tão presente em sua vida, com o aprofundamento dos estudos em cultura brasileira.

Na UFPR, começou lecionando sobre a história da arte brasileira, o que provocou reações cômicas dos seus primeiros alunos. “Como assim uma alemã dando aula de arte brasileira?,” perguntavam. Hoje ela é doutora pelo Departamento de História da universidade, onde estudou a formação da identidade brasileira na pintura dos corpos no século XIX.

As funções no Sacod

A decisão de fazer parte de uma chapa

O convite recebido para fazer parte da chapa ConTextura foi o terceiro do ano. Ela recusou os dois primeiros por achar que talvez não fosse o momento correto para a carreira dela, além de estar atarefada nos assuntos da coordenação do DeArtes.

Ao ser convidada pela professora do Departamento de Comunicação (DeCom) Regiane Ribeiro, no entanto, decidiu repensar. Após conversarem e diante da possibilidade de formar uma chapa somente com mulheres, aceitou. “A gente percebeu algumas afinidades, e a química bateu,” resume a alemã, que também estuda Representatividade de Gênero na História da Arte.

Segundo Stephanie, o grande desafio para a gestão é criar uma “cultura setorial” no Sacod, de modo que cada departamento conheça seus vizinhos. Isto porque vários assuntos estudados em cada curso podem conversar com todas as áreas. “Se a gente juntasse tudo aquilo que já existe e criasse canais que pudessem aproximar esses eventos, o setor já daria uma sacudida”, explica a nova vice-diretora do Sacod, cujo mandato terá duração de quatro anos e sucederá a gestão de Dalton Luiz Razera e Luiz Paulo Maia.

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