Quem faz moda sustentável em Curitiba?

Marcas curitibanas apostam na reutilização de materiais e em peças feitas à mão

Por Bruna Falce

A indústria da moda, segunda maior poluente do mundo (segundo a BBC),  tem demonstrado cada vez mais preocupação com o consumo sustentável. Alternativas de produção – como o reaproveitamento de materiais, o uso de algodão orgânico e a criação de peças atemporais (aquelas que servem para todas as estações do ano) – têm feito com que a slow fashion, “moda desacelerada”, seja cada vez mais adotada no dia a dia e nas passarelas. Uma das iniciativas que ajudaram a difundir esse estilo de vida consciente foi a Fashion Revolution Week, uma semana de sensibilização dedicada a palestras, debates e oficinas sobre o tema. A Fashion Revolution é um movimento que acontece em 93 países e alerta para o verdadeiro custo das peças de roupa, porque se preocupa com a escravidão moderna e cobra transparência da indústria da moda. Curitiba, assim como muitas outras capitais do Brasil, participou do movimento em abril desse ano.

 

Peças produzidas pela Farrapo Custom, marca sustentável curitibana (Foto: Bruna Falce)

 

Slow Fashion em Curitiba

A Farrapo Custom, uma das marcas sustentáveis que promoveu oficinas na Fashion Revolution, utiliza o upcycling (uma “reciclagem” que empodera o produto) para transformar tecidos descartados em peças originais. De acordo com Kamila Olstan, criadora da marca, a ideia surgiu quando ela foi convidada por uma colega para trabalhar em um brechó, transformando o material da loja em peças originais. “Vi que poderia trabalhar com isso e produzir pequenas coleções para um público amplo. Costumo dizer que são pessoas de mente ‘jovem’, cabeça aberta”, conta a designer.

Kamila explica ainda que o material utilizado para confeccionar suas peças é fornecido principalmente pelo Banco de Tecidos de Curitiba, que oferece tecidos para reutilização com a finalidade de estender a vida dos materiais. Uma calça jeans, por exemplo, pode ser cortada e transformada em uma saia, um macacão ou um bolso de casaco. As peças são confeccionadas uma a uma de maneira artesanal em um pequeno atelier no centro da cidade.

O atelier da Farrapo e de outras marcas com um “quê” de sustentabilidade estão dentro da Casa 102, um coworking de moda sustentável. A ideia é de produção colaborativa e espontânea, as marcas incentivam o trabalho umas das outras e colaboram para o seu crescimento. O lugar exala arte, desde a decoração até as peças produzidas.

 

A Gasp, marca de calçados, também trabalha com materiais de reuso (Foto: Bruna Falce)

 

Outra moradora da Casa 102 é a Oficina da Gasp, marca de calçados confeccionados artesanalmente. Ela surgiu da união dos designers Bruna Andrade, Luan Carfran e Renan Almeida com o modelista Gaspar Almeida. Na confecção dos calçados são utilizados materiais de reuso, como couro animal e borracha de reaproveitamento.

 

Confecção Manual

Tanto a Farrapo quanto a Gasp são exemplos de uma tendência que retorna às raízes da moda: a confecção artesanal das peças.

Vemos hoje, uma moda que valoriza cada vez mais a exclusividade que o “feito a mão” proporciona. Por não serem produzidas em larga escala, cada peça é única e tem um design diferenciado. Além disso, o tempo investido no desenvolvimento da roupa é maior, o que agrega valor ao produto final.

 

Oficina da Gasp, onde os calçados são produzidos a mão (Foto: Bruna Falce)

 

 

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