Quem procura acha: o que são as experiências fora do corpo

Instituto em Curitiba atrai pessoas com ligações parapsíquicas e curiosos para o estudo da conscienciologia

Por Osmar Filho

 

Palestras que ensinavam a sair do próprio corpo prenderam a atenção de muitos internautas nos últimos meses, porém pouco se sabe da origem desses encontros. O Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC) é uma organização que visa a educação e pesquisa de diversos aspectos relacionados ao que chamam de consciência, utilizando das ideias de conscienciologia, projeciologia e das parapsíquicas. Mas espera aí, o que todos esses termos querem dizer?

Segundo a voluntária e jornalista Isabela Collares, a conscienciologia é a ciência que estuda a consciência humana. Os entusiastas da área englobam conceitos como a bioenergia e múltiplas vidas em seus estudos de uma realidade que “vai além dessa que nós vemos aqui no plano físico”, como explica Collares.

Isabela esclarece que a projeção ocorre quando a pessoa está em um momento de relaxamento profundo. Nesse instante, pode ser capaz de ver seu corpo físico enquanto “flutua” no ar. A especialista reitera que a prática é diferente de um sonho, já que não ocorre de maneira onírica, ou seja, o indivíduo sente que consegue interagir com o mundo a sua volta. Ela conta: “a experiência fora do corpo, lúcida, não é uma consequência das atividades cerebrais. Você vivencia as experiências com mais discernimento. O poder de ir e vir é muito maior”.

Benefícios da projeciologia

A consciência pode ser também chamada de alma, embora a religião não tenha nada a ver com o que é pesquisado no instituto.  Isabela indica que, como os fenômenos são estudados de maneira científica,  a questão de idolatria ou de crença pela crença não existe. Embora não exista essa relação com religiosidade, ela acredita que as pessoas que tem uma crença bem estabelecida tendem a não se sentir confortáveis com as experiências proporcionadas pela conscienciologia.

Essa desmistificação é um ponto positivo observado pela voluntária: “a questão da religião se perde. Na verdade, ela passa a não fazer sentido nenhum”. Outras vantagens apontadas são o autoconhecimento e o sentimento de assistência para com outras pessoas, como defendido pela frequentadora do instituto Ana Carolina Ribeiro: “[a conscienciologia] te ajuda a tomar mais cuidado, mais prudência com aquilo que você pensa, porque um pensamento gera um sentimento, que gera uma energia”.

Ana, que veio de Brasília para Curitiba, frequenta o IIPC há um ano e dois meses, embora tenha tido experiências parapsíquicas por toda a sua vida. Ela foi apresentada aos estudos da consciência na Universidade Federal de Brasília (UnB) e descreve o que mais gosta sobre: “você pode visitar um lugar extrafísico, pode ver uma vida passada sua – isso já aconteceu comigo. O legal é que você consegue identificar mesmo assim, consegue reconhecer”.

O instituto

O IIPC foi fundado em 1988, no Rio de Janeiro, por Waldo Vieira, dissidente do espiritismo e conhecido de Chico Xavier. O médico e médium queria estudar os acontecimentos “paranormais” da religião de maneira científica. Hoje, já são quinze centros no Brasil, incluindo o de Curitiba. Além de três no exterior: Buenos Aires, Montevidéo e Luanda.

O grupo até ganhou um espaço para palestras mensais na Biblioteca Pública do Paraná, geralmente em quartas, das 18:30h às 20h. (Foto: IIPC)

O instituto tem palestras todos os sábados em sua sede na rua Visconde de Nácar, que recebem em média de 20 a 25 pessoas e incluem pessoas com parapsiquismo, telepatia, clarividência, entre outros. Ana complementa que o local não impõe determinada crença aos praticantes e, segundo ela: “você consegue provocar em si mesmo e consegue ver que é real. Isso é o mais interessante da conscienciologia e do IIPC”.

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