Quem são as pessoas que trabalham no comércio de rua

Pipoqueiros, engraxates e artistas são algumas das profissões encontradas nas ruas do centro de Curitiba

Por Anelize Visin

Quem mora em Curitiba ou já visitou a Rua XV de Novembro, vê muitas pessoas vendendo seu trabalho ou serviços. Cantores, vendedores de brinquedos, de artes, hippies, palhaços e carrinhos de comida encontram na rua a oportunidade de trabalhar e sustentar suas famílias com um custo menor e maior flexibilidade do que um comércio comum.

O Jornal Comunicação conversou com alguns desses personagens e tentou entender um pouquinho de suas histórias.

Benedito Pereira, o pipoqueiro

Benedito Pereira nasceu no interior do Paraná e foi criado em Curitiba. Aos 54 anos, sempre trabalhou como ambulante e há dois anos trabalha como pipoqueiro na rua XV de novembro, em frente ao Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná. Benedito acredita que seu carrinho de pipoca está no melhor ponto do centro da cidade, em frente ao tubo de ônibus do biarticulado.

“O meu segredo é acreditar no que estou fazendo. A pipoca é uma forma de enganar o estômago. Algumas vezes, as pessoas não tem dinheiro para comprar um lanche, então compram a pipoca para matar a fome”, conta o pipoqueiro.

Leonir Carvalho, a estátua viva

Leonir Carvalho, 36 anos, nasceu no interior do Paraná e já morou em dezenas de lugares. Ele trabalhou em circo durante 15 anos de sua vida, como estátua viva e malabarista.

Há outros 15 anos, Leonir diverte e também assusta os curitibanos e turistas no meio da rua XV. “A ideia de fazer a estátua viva veio do circo, a melhor parte é estar entre as pessoas”, afirma. O artista fica cinco horas por dia praticamente imóvel, de segunda a sábado, quando o tempo está aberto no centro de Curitiba e faz leves movimentos quando alguém colabora com seu trabalho.

César José de Souza, o vendedor de tapioca.

César José de Souza tem 60 anos e é nascido em Curitiba. Há 48 anos César trabalha como vendedor, já vendeu de tudo: frutas, bijuterias, pipoca. Agora aposentado, decidiu que era hora de sossegar e vende sua famosa tapioca gelada há 33 anos.

“Até os nordestinos se surpreendem e pedem a receita. Porém, é uma cearense mesmo que faz, não tem segredo”, afirma César. O vendedor também conta que em épocas de pico vende de 150 a 200 tapiocas e em dias normais tem uma média de 60 tapiocas geladas.

Jhon, o vendedor de esculturas

Jhonga Joseph, 27 anos, é haitiano e chegou ao Brasil há nove meses. Desde que chegou ao país, Jhon morou em alguns estados, mas se instalou em Curitiba em dezembro e trabalha como vendedor na rua XV, aos sábados.

Jhon vende esculturas vindas do norte do Brasil, produzidas em resina e pintadas em cobre.

O vendedor é formado em engenharia civil no Haiti e está no processo de validação do diploma para procurar um emprego em sua área de formação.

Vinícius Moraes, o desenhista

Vinícius Moraes, 43 anos, é paulista e mora em Curitiba há dez anos. Vinícius estudou desenho na Oficina de Artes e há 20 anos resolveu que essa seria sua profissão.

“Faço isso porque gosto, eu sou meu chefe e escolhi trabalhar na rua pra não precisar pagar aluguel”, conta o artista.

O desenhista conta que faz de zero a três desenhos por dia. Ele também trabalha com desenhos por encomenda, com o valor de cinquenta reais por trabalho.

Todos os dias que o clima está bom, Vinícius está na rua XV. “A melhor parte é o contato com tantas pessoas”, conclui.

Sr. Leleco, o engraxate

José Pires de Oliveira Filho, o Senhor Leleco, como é conhecido por todos na rua, tem 79 anos e nasceu no interior do Paraná.

Durante 30 anos, José jogou futebol profissionalmente em inúmeros times do Paraná e quando se aposentou, há 40 anos, assumiu o lugar do seu pai como engraxate. O pai do Sr. Leleco manteve-se nessa profissão por 50 anos.

José conta que a maioria dos seus clientes trabalha nos prédios da rua XV e que o movimento diminuiu desde o aumento do aluguel, pois muitas empresas se mudaram do centro.

O engraxate também se orgulha em seguir as regras da Associação dos Lustradores de Sapatos, que regulamenta seu serviço, tabelando os valores e as marcas dos produtos usados. José afirma ter uma boa clientela formada e atende de 10 a 12 clientes por dia.

“Eu venho trabalhar todos os dias, senão a mulher briga”, conta aos risos sobre o casamento de 60 anos, “eu gosto muito da minha profissão e pretendo fazer isso até o final da vida”, conclui.

 

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