Quem são os patriotas do 7 de setembro?

O desfile em comemoração ao Dia da Independência em Curitiba foi além das fanfarras e bandeiras. No 7 de setembro desse ano, o centro cívico foi tomado por cartazes de anticomunismo e pedidos de intervenção militar. Sendo também o 7º dia após o impeachment oficial da ex-presidente Dilma Rousself, ele foi considerado por muitos um momento de comemoração. Cerca de oito mil pessoas compareceram ao desfile, e o Jornal Comunicação foi dar um zoom nessa multidão e ver quem são os patriotas do dia da independência.

Márcia Lima

Márcia segura cartaz em defesa da intervenção militar (Foto: Heloise Auer)
Márcia segura cartaz em defesa da intervenção militar (Foto: Heloise Auer)

O cartaz nas mãos de Márcia Lima traz um pedido de socorro às forças armadas. A autônoma de 48 anos conta que era adolescente na época do último presidente militar, João Batista Figueiredo e que quer os militares no governo novamente. Pergunto se ela é a favor do impeachment e, surpreendentemente, a resposta é “não”. Afirma que foi apenas um instrumento para tirar a presidente, mas que não acabou com o crime político organizado. “Temos que amar nossa pátria como nós amamos nossos filhos”, por isso vem ao desfile todos os anos e com toda a família.

Fernanda Mocelin

A professora Fernanda Mocelin e filhos assistindo ao desfile (Foto: Heloise Auer)
A professora Fernanda Mocelin e filhos assistindo ao desfile (Foto: Heloise Auer)

Fernanda é professora, filha de militar, esposa de militar. Trouxe os filhos gêmeos ao desfile para assistirem o pai marchar. Para ela, a paixão nacional que foi vista no desfile desse ano é uma soma do cenário político e das olimpíadas. A professora fica em cima do muro quando pergunto sobre sua opinião política, está lá apenas para se divertir.

Gil César

O vendedor de de bandeiras Gil César no desfile (Foto: Heloise Auer)
O vendedor de de bandeiras Gil César no desfile (Foto: Heloise Auer)

Gil, o vendedor de bandeiras, trabalha todos os anos no desfile. Diferente de tantos outros que procuram lucrar com a data, Gil conta que possui uma conexão emocional com o evento: “Meu finado pai vendia bandeiras então eu mantenho a honra dele, todo 7 de setembro e Copa do Mundo eu vendo bandeiras”. O vendedor diz que o desfile estava mais cheio esse ano, na opinião dele, as pessoas vieram as ruas mostrar o patriotismo nesse momento político complicado.

Daniele Góss

Daniele e família aproveitando o desfile (Foto: Heloise Auer)
Daniele e família aproveitando o desfile (Foto: Heloise Auer)

Daniele Góss veio a passeio ao desfile. Em suas bikes, ela e o pai levam o irmão pequeno para exibir seus adereços verde-amarelos. Pai e filha acreditam que no 7 de setembro os brasileiros focam no lado bom do país, mas que o problema real está lá fora “com o impeachment, a visão que o mundo tem do Brasil agora é muito ruim, principalmente por ter acontecido isso pela segunda vez” diz ela lembrando a saída de Fernando Collor da presidência. “Fica meio complicado se dizer patriota”.

André Gonser

O motoqueiro André esperando a vez de desfilar/ Créditos: Heloise Auer
O motoqueiro André esperando a vez de desfilar/ Créditos: Heloise Auer

O motoqueiro do H.O.G, grupo oficial da Harley Davidson, não se considera patriota. Esse é o primeiro ano em que ele vai ao desfile. André também é micro empresário e está esperançoso com o futuro da economia no governo Temer. Ele se diz favorável ao impeachment e acredita que “se a Dilma não tivesse saído o desfile estaria vazio”. Logo chega sua vez de entrar na avenida e o ronco das motos enche o lugar. Dezenas de homens aceleram e lá se vai o não-patriota com sua bandeirinha pendurada na garupa.

You May Also Like

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *