Rap Curitibano: produzido em casa

Da esquerda para a direita: Roc, Hurakán e Liva. (Foto: Maria Melora)
Da esquerda para a direita: Roc, Hurakán e Liva. (Foto: Maria Melora)

Cheguei aproximadamente às 14 horas no LAB 01, uma das gravadoras de rap mais antigas de Curitiba. Fiz contato com Roc e Liva, integrantes do grupo Okay, que conseguiram com que o fundador da gravadora aceitasse participar da entrevista. Após os comprimentos, fizemos uma pausa para um cafezinho debaixo de um sol de rachar, incomum em Curitiba, e logo começamos uma entrevista para descobrir o cenário do rap em uma das cidades mais frias do Sul do país.
Ao longo da entrevista, recebi muita informação. Hurakán, um dos mais antigos produtores de rap da cidade, com 36 anos de idade e 23 anos de carreira. “Comecei comprando alguns equipamentos, mas o selo independente — LAB 01 — tenho desde 1999”. A partir daí, fez vários trabalhos, passando pela Ous, como por exemplo, a trilha sonora da Campanha “Barcelona com 31 reais por dia” e pela Cisco.
Quando perguntado sobre o funcionamento da gravadora, ele é direto.“Não tem método, é imprevisível”. Tudo depende muito de quem participa. “Como produtor, pode ser que eu curta muito o trampo de um cara, me identifique e vá atrás dessa pessoa, mas pode ser que a galera venha atrás da gravadora, para usar o espaço, e ai eu não me meto no trampo, deixo a galera livre para trabalhar”, explica Hurakán. A gravadora também se sustenta dessa maneira.
“A música costuma ter produção independente em Curitiba, a galera começa a comprar equipamentos por conta própria, até porque hoje em dia é muito mais fácil”, afirma o produtor sobre a questão dos home studios — estúdios de gravação feitos em casa. Curitiba não tem uma cultura de selos independentes, não é muito aberta para receber novos músicos e nem para comprar CDs na rua, me contou Hurakán.
Dentro do cenário nacional do rap, a maior parte dos grupos famosos é independente, como é o caso de grandes nomes como Emicida e Haikaiss. Vendo os grupos maiores que deram certo, os grupos menores também querem produzir em casa para, além de reduzir o custo, ter o aprendizado puro da música, com uma liberdade maior para mixarem e fazerem seus beats — a batida das músicas — à sua maneira.
Esse movimento, porém, não é hegemônico. Alguns grupos ainda preferem utilizar as gravadoras, como é o caso de Roc e Liva, integrantes do grupo Okay. “Nossa vibe é outra, o nosso objetivo não é perder tempo aprendendo a mexer com os equipamentos, nem gastar uma grana que podia ser investida em patrocínio no Facebook, em equipamentos. Nossa vibe é produzir o som e se divertir”, conta.

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