Reposição hormonal auxilia transexuais na identificação de gênero

Com o objetivo de amenizar as características físicas biológicas e desenvolver as do sexo com que se identificam, a reposição hormonal ganha cada vez mais espaço em meio à comunidade transexual — formada por quem possui uma identidade de gênero diferente do sexo de nascimento. Apesar da difícil realização, muitos transexuais recorrem a esse tipo de tratamento quando atingem a disforia — estado emocional em que rejeitam o próprio corpo. Além da reposição hormonal, a mudança também pode ser cirúrgica.

Fabiana Brantes, de 40 anos, é transexual e está a poucos passos de começar o seu tratamento hormonal. “Eu o coloco como o principal objetivo da minha vida no momento”, afirma. Os resultados da disforia podem ser devastadores, levando tanto a transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, até atos extremos, como auto-mutilação e tentativa de suicídio. “No meu caso, os efeitos ainda são só psicológicos, mas o suficiente para reduzirem, e muito, a minha qualidade de vida”, comenta Fabiana.

Segundo a médica do serviço de endocrinologia e metabologia do Hospital das Clínicas de Curitiba, Adriane Maria Rodrigues, “o ideal é fazer acompanhamento multidisciplinar por equipe composta por psiquiatra, psicólogo, cirurgião e endocrinologista. O tratamento hormonal não deve ser feito isoladamente.” Isso porque, entre os riscos causados pelo constante uso de hormônios, encontram-se o câncer hormonal (de mama e de útero, por exemplo), disfunção hepática, trombose, drogadição e doenças cardiovasculares.

O tratamento

Nas mulheres transexuais, os hormônios usados são o estrogênio e a progesterona, além de outros que diminuam a produção de testosterona, que evidencia as principais características masculinas. Assim, há a diminuição da massa muscular, da oleosidade, da libido, da ereção, da produção de esperma, do crescimento de pelo corporal e facial. Em contrapartida, ganham aspectos femininos, como a “redistribuição da gordura corporal, suavização da pele, crescimento mamário e fim da perda de cabelo, que leva à calvície típica masculina”, comenta Fabiana.

Já em relação aos homens o tratamento envolve o uso da testosterona, que interrompe a menstruação e reforça o crescimento de pelos em áreas como barba, abdômen, pernas e tórax, além de redistribuir gorduras e mudar a voz.

Serviço

Em Curitiba, o Centro de Pesquisa e Atendimento para Travestis e Transexuais (CPATT) oferece acompanhamento psicológico social e médico para transexuais. O atendimento é realizado na sede da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Rua Barão do Rio Branco, 465) e funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h30.

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