Sexismo nos jogos eletrônicos dificulta protagonismo feminino

Assunto vem gerando debates no meio acadêmico e entre os jogadores

Por Pedro Macedo

O machismo em jogos on-line como League of Legends (LoL) é, para muitas jogadoras, uma das principais causas  da discreta participação de mulheres nos e-sports. O aumento da popularidade de jogos eletrônicos, como os RPG’s, atraiu diversas pessoas para os times amadores e profissionais do mundo todo nas últimas décadas. No Brasil existem aproximadamente 136 milhões de jogadores, mas a maioria continua sendo do sexo masculino. Boa parte se deve ao discurso de que video games são “coisas de menino”.

Pensando nesse problema, a publicitária formada pela UFPR Maria Luiza Petranski desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso sobre “Sexismo nos campos de justiça: O posicionamento da marca interferindo na jogabilidade de League of Legends”. De acordo com Maria Luiza, seu TCC procurou estudar os motivos que fazem dos jogos eletrônicos “brinquedos de menino” e como esse discurso, resultado de uma construção sociocultural, acaba sendo reproduzido pelas empresas que administram os jogos, segmentando seus produtos apenas para o público masculino. Para a  publicitária, esse tipo de atitude interfere na jogabilidade feminina, tirando a oportunidade das mulheres terem uma melhor experiência dentro dos jogos.

Gisele Martins, aluna do curso de Ciências da Computação da UFPR, é jogadora de LoL há cinco anos e é uma das testemunhas de como ser mulher em um local predominantemente masculino interfere na sua experiência. Ela começou a jogar por incentivo de amigos. Na época, o LoL ainda não era muito conhecido. “Uma vez eu tive a oportunidade de jogar com um competidor famoso”, diz, “Depois que viram que eu jogava bem, algumas pessoas me adicionaram no  final da partida. Um dos jogadores chegou a jogar comigo via Skype”. Apesar de se considerar uma boa jogadora, naquele dia Gisele não fez o seu melhor e acabou sendo ofendida pelo jogador, que dizia que o problema era o fato dela ser mulher.

No mundo todo, fãs lotam arenas para assistirem o campeonato mundial de League of Legends foto:League of Legends Brasil

Como solução, a Riot Games, empresa responsável pelo LoL, possui uma ferramenta chamada de report. Com ela, os jogadores podem denunciar outros participantes por comportamento ofensivo. Mas, tanto para Gisele quanto para as outras jogadoras, não é o suficiente. Para a programadora de web, Joicy Martins, o report é um recurso bem inútil. Joicy é jogadora a seis anos e acredita que a ferramenta apenas ameniza o problema. “O principal defeito é que o jogador recebe punições leves, como perda de pontos nas partidas e a impossibilidade de jogar com alguns personagens. Se uma conta é suspensa, nada impede que a pessoa crie outra e continue espalhando o discurso sexista dentro do LoL”, conclui a programadora. Um dos resultados da pesquisa realizada pela Maria Luiza mostra que muitas pessoas não se sentem representadas pelas políticas de jogo da Riot Games que possuem muito que melhorar no quesito punitivo.

 

Um incentivo dentro da comunidade acadêmica

A AC7, atlética das engenharias da UFPR, é um  dos  únicos grupos dentro da universidade a dispor de um time de e-sports. A iniciativa foi feita pelo estudante Lucas Portilho e mais dois amigos, e já contou com jogadoras, mas que saíram depois de uma reformulação no time. Para Portilho, seria hipocrisia dizer que não existe sexismo dentro da comunidade do LoL

Porém a C7 incentiva a participação de meninas. Eduardo Yakuta, coordenador de LoL, avisa que não existe nada escrito em um regulamento que combata esse tipo de preconceito, porém que ele mesmo considera isso “uma ação que prejudica a equipe e o próprio indivíduo que acaba ficando estagnado por não admitir seus erros”. Yakuta finaliza: “Se a pessoa não tiver um bom comportamento em equipe, ela perde prioridade em relação a outro jogador mesmo de menor habilidade” e acredita que seria interessante fazer em algum momento, uma chamada mais apelativa para meninas dentro do time.

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