Simbologia de outubro estimula doação de cabelo para sobreviventes de câncer de mama

Durante todo o mês de outubro, um salão de beleza em Curitiba incentiva clientes a doarem seus cabelos para confecção de perucas

Por Robson Delgado e Milena Aíssa

A campanha para a doação de cabelo durante é tradição no salão de beleza Torriton Beauty & Hair. Quando chega outubro, o estabelecimento passa a oferecer cortes gratuitos para quem concordar doar o cabelo para apoiar sobreviventes do câncer de mama. A ação é feita em função do Outubro Rosa, período de sensibilização sobre a doença, a qual atinge cerca de 60 mil pessoas por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Dependendo da gravidade do tumor, que atinge majoritariamente mulheres, o paciente precisa se submeter à quimioterapia. O tratamento, apesar de eficaz, tem efeitos colaterais, como anemia e náusea. Outro sintoma comum é a queda de cabelo, que pode afligir a autoestima da mulher ou do homem.

Para estimular a doação de cabelo para confecção de perucas para as vítimas da doença, o Torriton passou a realizar a campanha anualmente desde 2013. De acordo com o cabeleireiro Anderson Naindorf, que trabalha há três anos no salão, o interesse de mulheres para doar seus cabelos aumentou significativamente desde o ano passado. “Cabelo é uma coisa que cresce super rápido. Às vezes, tem pessoas que cortam um monte de cabelo e acabam desperdiçando. Eu vejo como uma atitude muito bacana quem participa da campanha, porque tem muita gente que realmente precisa”, afirma Anderson.

Apesar de já ter visto sua filha doar o cabelo para campanha do Outubro Rosa, Karla se mostrou um pouco insegura no começo (Foto: Mariana Toy)
As doações são separadas por tamanho, cor e textura. Então são distribuídos para a fábrica de perucas (Foto: Mariana Toy)

Neste ano, a fisioterapeuta Karla Baron Garcia decidiu participar da ação pela primeira vez. Foram mais de 20 centímetros de cabelo doados. Segundo ela, o novo corte não foi feito pela divulgação ou por ser gratuito. O incentivo veio de sua filha que, aos oito anos de idade, doou seu cabelo por vontade própria diretamente na ONG Atitude na Cabeça, parceira do salão de beleza. Anos depois, com o desejo de renovar sua aparência e aproveitar a oportunidade para contribuir com a causa, a mãe resolveu seguir os passos da filha.

Acompanhada pelo Jornal Comunicação durante o seu corte, Karla não hesitou na hora de começar, ainda que estivesse insegura. “Cabelo cresce rápido e a gente se sente bem fazendo o bem”, disse antes de passarem a tesoura. A ansiedade para ver logo o resultado comandava as emoções da fisioterapeuta.

Após a transformação, olhar-se no espelho se transformou em sinônimo de sorrir. “Estou me sentindo mais leve”. As frases de Karla refletiam seu bem-estar, não só com sua aparência, mas também com sua atitude. “Acho que depois que a gente doa a primeira vez, acostuma. Já estou pensando em doar de novo”, disse a fisioterapeuta, que fez questão de tirar foto e enviar à sua filha. Quis mostrar seu novo visual, o cabeleireiro e as suas mechas no saquinho, que daqui uns dias não serão mais suas.

“A gente se sente bem fazendo o bem”, comentou Karla enquanto o cabeleireiro Anderson Naindorf cortava suas mechas (Foto: Mariana Toy)

Mas para onde vai o cabelo?

Após o corte realizado no salão, o processo da ação social continua. A coleta dos cabelos doados é feita pela ONG Atitude na Cabeça. Na sequência, é feita a separação do cabelo por tamanho, cor e textura. Então os cabelos são distribuídos por peso e enviados para a fábrica de perucas. São 250 gramas para cada unidade.

Somente uma pequena quantidade de cabelo é jogada fora, a maioria vai para a organização não-governamental Atitude na Cabeça, que confecciona as perucas (Foto: Mariana Toy)

Por fim, a instituição realiza a entrega das perucas segundo demanda. O próprio salão de beleza Torriton, para fechar o mês da campanha, realiza a entrega de uma peruca para alguma paciente de câncer, ou para mulheres que perderam seus cabelos por causa de queimaduras ou alopecia, doença chamada também de calvície.

 

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Antes e depois
O antes e depois da doação de cabelo na campanha do Outubro Rosa (Foto: Mariana Toy)
O comprimento do corte é medido previamente para agradar a doadora e atingir os 20 centímetros mínimos para doação (Foto: Mariana Toy)
O comprimento do corte é medido previamente para agradar a doadora e atingir os 20 centímetros mínimos para doação (Foto: Mariana Toy)
Com todas as mechas separadas e marcadas, o cabeleireiro Anderson Naindorf tirou a primeira mecha de Karla (Foto: Mariana Toy)
Antes mesmo de finalizar o corte, Karla já se mostrava contente com a nova aparência (Foto: Mariana Toy)
Ao final da experiência, a doadora recebe um certificado de atitude concedido pela Torriton, em parceria com a ONG Atitude na Cabeça (Foto: Mariana Toy)

 

 

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