Star Wars – Os Últimos Jedi- O que é ser um herói?

Pensando no futuro da franquia novas discussões são abertas e deixam o tom de reflexão como um respiro para novos fãs

Por Arthur H. Schiochet

O mês de dezembro se tornou uma data especial para ver Star Wars, a Disney estabeleceu que seus filmes irão sair próximos ao fim do ano estabelecendo uma tradição. Engraçado que este filme traz tudo menos o convencional. Se em “Star Wars-O Despertar da Força” tínhamos recebido uma alta dose de nostalgia e regresso ao passado, em “Os Últimos Jedi” temos o completo oposto. Pensar no futuro e desconstruir lendas, é sobre isso que o filme fala e que maneira linda de se entregar isso.

A trama gira em torno de um ataque da Primeira Ordem sobre o mais alto escalão da  Aliança, em paralelo a isso temos o treinamento de Rey (Daisy Ridley de “O Assassinato no Expresso Oriente”) pelas mãos de um dos maiores jedi de todos os tempos, Luke Skywalker (Mark Hamil “Star Wars – O Império Contra Ataca”). Não é preciso saber mais nada da história, evite trailers e comerciais, eles podem entregar um milésimo de cenas importantes, que somente te farão pensar errado sobre o que acontece de verdade.

Com um ritmo impecável o diretor Rian Johnson (Looper: Assassinos do Futuro) traz um longo filme, de aproximadamente 2h45m, parecer ter 15 minutos. Quando se pensa que o filme pode acabar a torcida é para que continue pelo tempo que for, o apego pelos personagens é enorme e ver Leia (Carrie Fischer) em tela é de cortar o coração até do mais desapegado espectador.

Grandes frases são soltas durante o filme, guiado por um roteiro que deixa as arestas se construírem e tomarem forma durante a projeção. A discussão de como é feito um herói perpassa durante todos os núcleos do filme, desde os mais importantes até os mais distantes do emocional do espectador.

Descontruir a imagem de um ser supremo é uma tarefa muito difícil, mas “Os Últimos Jedi” consegue fazer isso de maneira brilhante. O maniqueísmo, duramente criticado durante toda a saga dá lugar a viradas surpreendentes, que dão a cara para um novo mundo a ser construído pela nova geração de personagens. Ao dividir as histórias o filme aborda a exploração da riqueza e a sujeira da guerra, seja do lado dos “mocinhos” ou dos “bandidos” e que no fim do dia, para muitos, não importa como é ganha a batalha, apenas o resultado dela. Rey e Kylo Ren (Adam Driver “Patterson”) se conectam de uma maneira jamais vista entre os lados sombrio e luminoso da Força, que segundo o próprio filme é o que está no meio da paz e da guerra, é o equilíbrio do Universo e é isso que a faz tão poderosa e tão importante em momentos de desesperança.

Foto: Reprodução/Walt Disney Pictures

O título do filme reflete perfeitamente o que é colocado em tela, não do jeito óbvio, mas explorado de uma maneira que ao subirem os créditos tudo faz sentido. É muito difícil falar deste filme sem tocar nos spoilers, mas saiba que mesmo levando a franquia para lugares jamais explorados o cerne de Star Wars está ali, todos os ensinamentos trazidos pelos mestres estão em tela e o coração de qualquer fã bate mais forte quando a Força é posta à prova ou quando um sabre de luz é ligado. Os momentos com Luke, em específico, trazem um alento grande para todos que sentiram a morte de Han Solo no último filme.

Com esta obra é possível rir, chorar, se empolgar e refletir, algo que poucos filmes conseguiram tão bem nos últimos tempos. Ainda é cedo para dizer que “Star Wars Episódio VIII- Os Últimos Jedi” é o melhor filme da franquia, mas ele traz pensamentos incríveis e que abre um leque gigantesco de meandros para os quais a franquia pode evoluir e explorar. Se foi chocante a frieza do que aconteceu em “Rogue One-Uma História Star Wars”, prepare-se, pois este filme trará muitas emoções. Nostalgia e pensamento no futuro constróem, sem dúvida, o mais impactante blockbuster do ano e uma das melhores experiências cinematográficas para os fãs e não fãs da franquia.

Dar uma nota é muito difícil quando o que se assiste é parte da sua vida. Um aspirante a crítico deve se manter lúcido e tentar ser imparcial, mas sem perder a paixão de se ver um filme. Escrever sobre Star Wars é falar de algo que ao lado dos primeiros filmes de super-herói, da trilogia “De Volta Para o Futuro”, da franquia “Senhor dos Anéis” e do primeiro “Jurassic Park” me fizeram amar o cinema e respeitá-lo como uma arte da qual nunca quero abandonar.

Nota: 10

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