“Tenho dificuldade em aceitar algumas mudanças , mas nesta campanha melhorei o meu posicionamento”, diz Geonisio Marinho sobre a questão LGBT

Marinho defende a privatização dos presídios e a criação de uma bolsa de R$ 100 para os alunos de escolas públicas (Foto: Thais Skodowski/ G1)
Marinho defende a privatização dos presídios e a criação de uma bolsa de R$ 100 para os alunos de escolas públicas (Foto: Thais Skodowski/ G1)

Candidato ao Governo do Estado pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Geonisio Marinho é formado em Ciências Econômicas e já foi candidato a vereador em quatro eleições, três em Curitiba e uma em Pontal do Paraná. Mesmo não tendo vencido, ele acredita que “na política nunca se perde, sempre se ganha experiência”, e afirma estar preparado para esta candidatura.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, Marinho falou sobre a sua proposta de privatização dos presídios estaduais, sobre a política de poupança para estudantes e a violência contra a mulher.

Confira:

O senhor é favorável à privatização dos presídios estaduais. Em 2002, quando 45% dos serviços prestados aos presos eram da iniciativa privada, houve um gasto 80% maior, além de baixos salários para os agentes. Quais são as suas propostas para esta questão, considerando as rebeliões que vêm acontecendo no estado? Como o senhor vai resolver estes problemas?

Uma coisa esta ligada à outra. A lei está sendo cada vez mais aplicada e, se todas elas fossem realmente cumpridas, faltaria lugar na cadeia. Eu ainda defendo a privatização, porque sempre trabalhei na iniciativa privada e sempre fui cobrado pela eficiência. Ela precisa vir para os presídios porque o estado não consegue dar conta de todas as demandas com este grande contingente de presos e condenados. Entendo que, com a iniciativa privada, haverá maior rigor e mais eficiência no cumprimento das penas. Além disso, com a criação de cursos dentro do próprio sistema, os presos poderão sair da cadeia qualificados. Não vejo outra saída. Afinal, depois, quando alguém foge do sistema, vem para a rua e comete um delito, quem paga a conta somos nós. Defendo a privatização porque vim da iniciativa privada e sei que dá certo. Se não deu certo no passado, é porque houve má gestão.

Quais as são suas propostas para diminuir a violência contra a mulher no Paraná?

Novamente, uma coisa esta ligada à outra: propagandas que incentivam o consumo de bebidas, homens que estão abusando e algumas mulheres também. Mas as vítimas sempre são as mulheres, pois elas têm que segurar a retaguarda. Além de cumprir o seus papéis de esposa e mãe, elas têm que aguentar os desaforos de alguns “machões de cozinha”. Nós não sabemos ao certo quais são as demais causas, mas somos totalmente contra qualquer tipo de violência. Tenho dito sempre que a mulher é muito mais forte que o homem. Vemos as mulheres hoje conseguindo cargos públicos, de diretorias em empresas privadas, crescendo cada vez mais. Mas elas também pagam um preço alto. Elas estão precisando assumir posturas cada vez mais fora de casa e o homem, como ainda é extremamente machista, precisa aprender a conviver com esta evolução. Queremos, logicamente, fazer políticas públicas para que tenhamos conteúdos melhores nos veículos, principalmente nos oficiais, como a TV Educativa do Paraná. É preciso incentivar a prática de boas ações, pois as famílias estão se desagregando com as brigas frequentes que existem nos lares.

Em seu plano de governo, o senhor propõe o pagamento de uma bolsa de cem reais para os alunos de escolas públicas. O senhor poderia explicar melhor esta proposta, considerando que este dinheiro poderia ser usado para melhorar a infraestrutura das escolas e também o salário dos professores?

Com este incentivo, o aluno vai se esforçar mais. As crianças estão apenas na frente dos computadores, com jogos que não ensinam nada e que são muito violentos. Temos que mudar tudo isso. Sinto saudade da minha época, daqueles desenhos animados em que havia apenas conteúdo cultural. Estamos criando uma futura geração que não vai ser muito cobrada pois foi criada assim. Com o aluno recebendo esta premiação, queremos que ele se esforce um pouco mais para que, quando chegue ao ensino superior, tenha este dinheiro guardado. A educação é a base de tudo, mas não dá resultado em termos de voto. As pessoas só olham para as estradas, para as grandes construções e esquecem da educação. Quero fazer uma economia com privatização e com redução dos gastos da máquina pública. O dinheiro será investido em educação. Se não vencer a eleição, espero ser o semeador dessa nova cultura, para que tenhamos uma geração, daqui dez ou vinte anos, pronta para entender que roubar é feio, que fazer as coisas erradas não vale a pena e que estudar é tudo nesta vida.

De acordo com um estudo do Instituto de Psicologia da UFPR, feito com mulheres trans de Curitiba, o despreparo e o preconceito dos profissionais da saúde impedem o amplo acesso à saúde integral e gratuita, prevista em lei. Quais são as suas propostas para melhorar o serviço de saúde para a população LGBT, considerando também que o Paraná não possui um hospital que faça a cirurgia de transgenitalização?

É um assunto polêmico. O meu candidato à Presidência [Levy Fidelix] foi pego num debate sobre o assunto, mas eu entendi sua posição como corajosa. Passado aquele momento de histeria, chegou-se num estado mais calmo em que o debate voltou à tona. Confesso ter dificuldade em aceitar algumas mudanças drásticas. Fui criado em um sistema. O meu presidente tem a mesma faixa de idade que eu e a nossa geração tem dificuldade em assimilar estas coisas. Esta campanha me fez melhorar o meu posicionamento e enxergar diferente estas diferenças e, logicamente, se houver diálogo, eu mudarei para melhor. Vejo que a família está em um local de onde nunca deve sair. Vejo excessos na televisão, na rua. As pessoas precisam entender que, se querem fazer algumas coisas a mais, que o façam em um lugar privado, não em público. Mas estou completamente mudado para aceitar estas transformações. Com relação às cirurgias, é um direito que foi conquistado, entendo que o estado não pode dar as costas a estas pessoas, até porque é uma obrigação legal.

Como a sua eleição beneficiaria a juventude, principalmente a classe universitária?

Entendo que temos que ter uma nova geração que precisa vir desde casa com bons exemplos, do pai e da mãe. Nas escolas públicas do Paraná, quero incentivar uma parceria público-privada com a União dos Escoteiros do Brasil, para que os alunos possam ter a oportunidade de ser escoteiro e de participar de uma escola de formação de caráter. Com isso, o estudante chegará à universidade com uma base mais sólida. Queremos fazer investimentos pesados. Também vamos implantar o “Selo Doador Solidário”. A ideia é de que quem vender serviços para o estado só poderá fazê-lo se for doador solidário. Ele deverá doar 1% do seu imposto devido ao Governo Federal dentro do estado do Paraná. Assim nós vamos capitalizar um volume muito grande de recursos que serão aplicados exclusivamente em esporte, cultura e pesquisa. Com esta capitalização, que podemos fazer a partir do ano que vem, o universitário terá o tão sonhado recurso para a sua pesquisa.

O senhor gostaria de acrescentar mais alguma mensagem para os leitores e leitoras do Jornal Comunicação?

Gostaria de dizer a todos que foi um prazer muito grande participar desta campanha. Ela foi uma lição de vida. Sinto-me um vitorioso. Tive apoio de casa e dos meus companheiros de partido que estiveram comigo. Num primeiro momento isso tudo foi muito difícil, pois não recebi doações para a minha campanha, mas olhando para trás vejo que não devo nada para ninguém. Se for eleito, poderei fazer quaisquer mudanças, porque não serei cobrado por financiadores. Quem doa, quer receber de volta. Plantar esta semente de recuperação da velha educação que vem de casa, com os pais, já valeu a pena.

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