Transformers: O último Cavaleiro | Alguém pare a megalomania de Michael Bay

Com a desculpa de fazer filmes para fãs e não para críticos, Michael Bay entrega uma sequência confusa, cansativa e que consegue ser muito pior que os anteriores

Por Robinson Samulak

Fonte: Divulgação/Paramount Pictures

Os blockbusters foram responsáveis por reviver Hollywood na década de 1970. Filmes fáceis de entender, com roteiros simples, mas bem elaborados e que conseguiam atrair um enorme público foram fundamentais para a consolidação da chamada Nova Hollywood. Apesar de haver ainda hoje um certo preconceito elitista com esses filmes (também conhecidos como filmes de verão, por conta do período que costumam ser lançados), não há como negar que diversos clássicos de ótima qualidade vieram nesse formato (Star Wars e Jurassic Park, para citar apenas duas franquias).

Porém nem tudo nesse meio merece elogios. E quanto maior a necessidade de ser grande, maior o investimento, o que exige um maior retorno. É uma equação que nem sempre fecha, por isso alguns diretores apelam para filmes que são maiores do que deveriam ser – ou maiores do que conseguem controlar – e constantemente nos deparamos com blockbusters que não se sustentam em nada. “Transformers: O Último Cavaleiro” é um ótimo exemplo desse caso.

A franquia Transformers iniciada em 2007 sempre tentou ser gigante, numa escala exponencial que não condiz com o que é entregue ao público. No quinto filme a impressão que temos é que o diretor Michael Bay (Armageddon) quis fazer algo que estava além de sua capacidade – mais uma vez. A história, que dura intermináveis – e desnecessárias – duas horas e meia, se baseia no fato de que os Transformers estão na Terra desde os tempos do Rei Arthur e que aqui está a peça que irá permitir a salvação de Cybertron, o planeta natal dos robôs. Porém, salvar Cybertron significa a destruição da Terra.

Fonte: Divulgação/Paramount Pictures

Mesmo para um filme da franquia Transformers, o roteiro é frágil. Ele não entrega uma história fechada. Em determinados momentos parece que várias pessoas escreveram o mesmo roteiro sem se conversarem. O público se vê obrigado a aceitar cada uma das cenas, sem ter qualquer preocupação de entender como aquilo começou. Raríssimos são os momentos que é possível interpretar alguma coisa.

Não bastasse o fraquíssimo roteiro, ainda somos jogados em cenas de ação confusas. A câmera tem poucos momentos de estabilidade e a sensação de desconforto é o principal problema. Nos raros momentos em que não está acontecendo alguma explosão ou fuga de carros, os personagens não nos convencem nem da carga dramática, cômica ou da química entre eles. Cade Yeager (Mark Wahlberg, que retorna do filme anterior) se mostra fraco nos três critérios, principalmente em suas cenas com Vivian Wembley (Laura Haddock) e Izabella (Isabela Moner). Nem mesmo o experiente Anthony Hopkins consegue entregar um convincente Sir Edmund Burton, uma espécie de templário dos Transformers.

Tentar criar um franquia sobre robôs gigantes que vêm do espaço e possuem a habilidade de se transformar em carros, tanques ou jatos naturalmente exige um orçamento grande e cujo objetivo é tornar-se um sucesso de bilheteria. Michael Bay consegue fazer sucesso com seus filmes (cinco filmes em 10 anos é sinônimo de sucesso), porém nos entrega a mesma fórmula fraca, por vezes preconceituosa. Uma tentativa que precisa ser parada.

Nota: 2,5

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