Tubo de Ensaio – Tristeza, fé, tensão e felicidade: um misto de emoções no Couto Pereira

Faixa em solidariedade às vítimas da tragédia do vôo da Chapecoense (FOTO: Fernanda Glinka)

O dia 7 de dezembro de 2016 entrou para a história. Dia em que a rivalidade foi deixada de lado em prol de um único time de futebol: a Chapecoense. O país do futebol se emocionou e deu uma grande festa em homenagem às 71 vítimas desta tragédia. Definitivamente, não foi um dia comum.

Os portões do Couto Pereira, que já contavam com grandes filas, foram abertos às 19h, mesmo horário em que as torcidas organizadas do Coritiba e do Atlético Paranaense se encontravam no tubo de ônibus Maria Clara para, juntos, irem em direção ao estádio. Assim que a Rua Mauá foi tomada, em harmonia, pelos integrantes destas duas torcidas, que cantavam fortemente o mantra “Vamos, Chape!”, membros das demais torcidas resolveram participar. A festa já havia começado. Não às 20h30, horário programado para o culto dentro do estádio, mas lá fora mesmo. Pessoas de diferentes idades, vestidas com a camiseta do seu time de coração, cumprimentavam, conversavam e abraçavam pessoas de seus times rivais, cena nunca antes vista ao arredor de um estádio de futebol.

Torcedor do Coritiba e torcedora do Atlético Paranaense posam juntos segurando camiseta da Chapecoense (Foto: Fernanda Glinka)

Se lá fora o clima era de festa, dentro, com o estádio lotado, a tensão aumentou. E assim iniciaram, do meio do gramado, as homenagens. O público, em meio a atenção às falas dos locutores, gritava frases de efeito como “É campeão” e “Força, Chape”. Alguns estavam emocionados, outros sorriam e festejavam o time da Chapecoense que, mesmo após a morte de 19 de seus jogadores, parecia mais vivo do que nunca.

As pessoas, não acostumadas com essa convivência harmoniosa entre membros de diferentes torcidas, se assustaram com um barulho forte vindo de perto de um dos  banheiros e, em sussurros de “é briga”, começaram a gritar “vergonha”. Mas eles estavam enganados. O barulho havia sido causado por uma pessoa que subiu em uma pia para olhar o lado de fora do estádio – que reunia um grande público acompanhando as homenagens – e, sem querer, a quebrou. Nada tinha a ver com briga entre torcidas. Como dito anteriormente, esse não foi um dia comum.

Às 21h45, horário em que o último jogo da Sul-Americana iniciaria, foi feito um minuto de silêncio. Logo após, as luzes do estádio se apagaram, os celulares acenderam e foram mostradas, de uma em uma, as fotos dos homenageados. O canto forte ecoou pelo estádio e não vinha mais apenas da boca das pessoas, vinha do coração. Enfim, as lágrimas correram.

Força, Chape!

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