UFPR decreta ponto facultativo para feriado da Consciência Negra

 

Para a PRA, ponto facultativo respeitou a opinião da comunidade acadêmica. Foto: Ana Carolina Maoski

O feriado do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira (20), foi facultativo para a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O reitor da instituição, Zaki Akel Sobrinho, definiu que o funcionamento das unidades e a decisão de ministrar ou não as aulas ficaria por conta de cada professor.

De acordo com a Pró-Reitoria de Administração (PRA), a escolha do ponto facultativo teve influência direta da demora do posicionamento oficial do Tribunal de Justiça (TJ), que suspendeu o feriado no início do mês. O pedido de anulação da data, destinada à memória e reflexão sobre a inserção do negro da sociedade, foi realizado pela Associação Comercial do Paraná (ACP). A organização alegou que o feriado causaria prejuízo aos comerciantes e à economia estadual.

Segundo José Clóvis Pereira Borges, representante da PRA, o ponto facultativo buscou respeitar o Dia da Consciência Negra e, também, as crenças de quem frequenta a UFPR. “Hoje a Universidade funciona parcialmente. Eu acredito que 70% da instituição fechou para promover a reflexão que o feriado propõe”, explica.

No campus da Reitoria, a expectativa de Borges se confirmou. Durante a manhã, as salas vazias caracterizaram o dia, além dos poucos professores e alunos circulando pelos corredores. Entre os docentes que não pararam as atividades está Gesualda Rasia, do curso de Letras. Para ela, o feriado não resolve o preconceito e as dificuldades que os negros sofrem todos os dias.

Ela explica que que a necessidade de feriado mostra que há lugares sociais que ainda precisam ser construídos, de maneira presencial, pela marca de uma posição. A professora se considera uma negra em movimento, não de movimento. “Eu costumo fazer a minha militância no contínuo, me inserindo na história. E faço isso trabalhando nesse dia, para discutir a questão em sala de aula. Inclusive eu coloquei para os meus alunos que quem decidiu ficar em casa hoje dificilmente foi em homenagem ou respeito à consciência negra”, afirma.

Na Reitoria, a maioria dos professores decidiu parar as atividades, o que deixou o campus vazio. Foto: Ana Carolina Maoski

A favor do feriado

O professor de Setor de Educação e especialista em diversidade cultural, Paulo Batista da Silva, optou por não dar aulas na data de hoje.  Ele considera a decisão da Universidade coerente com os movimentos sociais de Curitiba e favorável ao processo democrático realizado na Câmara Municipal, que aprovou o recesso. “Muitas outras coisas podem e devem ser feitas, não só no dia 20 de novembro. As formas de celebrar o dia 20 são bastante vinculadas a divulgação da cultura negra, daí a necessidade do feriado. Essas ações visam ressaltar a importância dos afro-descendentes na construção do Brasil, e o Paraná não é exceção.”, conclui.

Aos alunos da Universidade coube atender as decisões dos departamentos e dos respectivos professores. A estudante do quarto período do curso de Letras, Ana Lorena Gonzalez Yamashita, foi para a aula na Reitoria nesta manhã. Ela discorda da decisão dos professores que optaram por trabalhar. “Se essa data existe, é porque é necessário refletir sobre as questões propostas por ela. Na minha visão, a paralisação deveria ser obrigatória na Universidade, para dar a devida importância ao Dia da Consciência Negra, ainda mais pelo cunho comercial do cancelamento”. As aulas que não foram dadas hoje podem ser repostas pelos professores até o final do semestre.

Dia da Consciência Negra

Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o dia 20 de novembro é feriado, data da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes do Brasil. Em Curitiba, município do sul do país com o maior número de afro-descendentes, o feriado que havia sido foi revogado pelo TJ-PR.

 

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