Último dia do Festival de Curitiba traz adaptações de clássicos da literatura

Com William Shakespeare e Arthur Conan Doyle, o Portão Cultural encerra suas atividades no Festival de Curitiba

Por Janyne Leonardi

“A vida é uma simples sombra que passa; é uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa”. Esta foi uma das frases citadas pelo personagem Macbeth, reencenado por Roger Bortolan. Nesse domingo (9), último dia do Festival de Curitiba de 2017, o Portão Cultural contou com as atrações da companhia de teatro CTM Cultural. Com as peças Apresentando Shakespeare para todos e A Noiva Abominável, respectivamente adaptações das histórias de William Shakespeare e de Arthur Conan Doyle, o teatro ficou repleto de cenários, literatura e música.

A CTM Cultural é uma ONG que em 2017 completa seu vigésimo aniversário, e tem como objetivo fazer apresentações culturais para comunidades carentes. Algo que chamou a atenção foi o preço dos espetáculos realizados no Portão Cultural: o ingresso custava apenas R$6,00, com direito a meia-entrada — uma forma de tornar as apresentações acessíveis e de atrair todos os públicos.

Às 14 horas no Auditório Antônio Carlos Kraide começa a primeira atração que seria reprisada seis horas mais tarde: Apresentando Shakespeare para todos. O título, que prevê uma espécie de monólogo ou debate com frases dos livros do autor, engana. A peça age, na verdade, como uma espécie de “isca” para uma leitura mais profunda e moderna.

Gustavo Kaizer e Ingrid Ecks como Romeu e Julieta em “Apresentando Shakespeare para todos” (foto: Janyne Leonardi)

Em cinco cenas curtas, as principais obras do escritor são contadas de múltiplas formas. No início, o famoso diálogo de ‘Hamlet’, “ser ou não ser, eis a questão” entrega o ar de misticismo que se manterá durante todo o espetáculo. Em seguida, a adaptação de ‘Sonhos de uma noite de verão’ traz um tom metalinguístico e moderno, com piadas atuais misturadas aos diálogos literais. Dali para frente, o clima fica mais pesado. As passagens fiéis em ‘Otello’ são provocantes, a Morte narrando ‘Romeu e Julieta’ arrepia, e a bruxa tirando o sono e paz de ‘Macbeth’ assusta o público.

Às 17 horas, Sherlock Holmes e seu caro parceiro John Watson decifram um mistério que beira o sobrenatural. Em A Noiva Abominável, a falecida noiva Emília Ricoletti levanta dos mortos para assassinar seu marido, e isso desperta a atenção do detetive Lestrade, que pede ao cético Holmes que investigue.

Giulio Pietro como Sherlock Holmes em “A Noiva Abominável” (foto: Janyne Leonardi)

Antes da peça começar, a música tema do seriado toca ao fundo, e a famosa trilha sonora segue ao longo da atração. Com clima de mistério, intervalos escuros e cenas impressionantes — e que fazem duvidar se é real ou não —, o espetáculo faz o público imergir no universo de Arthur Conan Doyle. Até mesmo para aqueles não familiarizados se torna algo tangente.

Ingrid Ecks como Emília Ricoletti em “A Noiva Abominável” (foto: Janyne Leonardi)

As apresentações terminaram seguindo o slogan do Festival: com o poder do aplauso. Sorrindo e realizados ao serem ovacionados pela platéia, Aline Dias, Carol Cruz, Giulio Coraiola, Gustavo Kaizer, Ingrid Ecks, Kleber Dias, Maria Eduarda Alves, Roger Bortolan, Rosana Wundervald, Wagner Marques, Wesley Murilo e Wesley Perez alcançaram um recorde de público no último dia do Festival de Curitiba, com a casa superlotada os assistindo.

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