Uma boa ação que se tornou missão de vida

“HO HO HO SUCESSO” são as palavras de ordem deste Papai Noel

Texto e Fotos por Juliana Firmino

Edição por Cássia Ferreira
O sino, um presente dado por um Franciscano, é o único objeto que o acompanha durante todos os 46 anos de história (Foto: Juliana Firmino)

Aristóteles Pires, ainda garoto, aos 17 anos teve a primeira experiência vestido de Papai Noel, fruto de uma ação voluntária entre amigos de um grupo de jovens de um Seminário Franciscano. A ação previa entregar doações em uma favela no bairro Vila Sandra. Na época a caracterização não era perfeita, mas o esforço compensou: “Foi uma coisa bastante ridícula, uma máscara de plástico com algodão, eu era todo magro… Mas o espírito natalino tomou conta de uma forma que foi uma festa muito gratificante e cheia de sucesso!”, lembra o representante comercial, hoje com 63 anos.

Gostou tanto do que viveu, que continuou fazendo visitas na casa de amigos e em algumas instituições. E aos poucos foi aperfeiçoando a fantasia. Usava barbas postiças, feitas por ele mesmo de lã de carneiro, tecidos de cetim, ou plástico, até conseguir comprar e modelar uma barba artificial que usou por mais de dez anos. Há três anos usa a barba natural e preparação do figurino começa a partir do mês de junho quando começa a deixá-la crescer.

No dia 25 de dezembro às 2:30 da madrugada, Aristóteles raspa a barba e explica o rito: “É quando eu consigo fazer o meu ritual de despedida do Papai Noel, me desfazendo das vestes e também da barba”.

Com o tempo ser Papai Noel passou a ser uma fonte adicional de renda nos últimos meses do ano. Ele conta já ter trabalhado para empresas como Banco do Brasil, Supermercados Big, Shopping Crystal, Prefeituras de Curitiba e Araucária e hoje está no Shopping Água Verde. Na noite da véspera de Natal faz visitas em casas de famílias, como um complemento das festas natalinas.

Mesmo assim, não abre mão de acrescentar: “mas independente disso, existe a filantropia, sempre vou em hospitais, asilos, ou atendo os menos favorecidos!”.

Aos que não acreditam em Papai Noel, ele conta uma história que lhe aconteceu:

“Há um tempo conheci uma garota que tinha em torno de uns 26 anos, ela ficou a todo instante só me observando entregar bala as crianças. Eu então, perguntei se ela já tinha feito a carta dela ao Papai Noel, ela disse que não e que não acreditava em Papai Noel. Eu respondi que ela precisava, na realidade, encontrar o seu Papai Noel, e pedi a ela: ‘Faça uma carta e veja o que o Papai Noel pode fazer por você’. No dia seguinte ela me trouxe a carta, eu li e fiquei muito preocupado com o conteúdo. Fui atrás de um amigo psicólogo, ele me disse que era preciso ter muito cuidado, pois aquela menina estava prestes a se suicidar e que precisava com urgência de um tratamento. Eu perguntei se ele daria isso de presente de natal a ela e a resposta foi positiva. Voltei a encontrar com a garota, dei um cartão dele para ela e falei “vou provar pra você que o Papai Noel existe, mas você precisa ir a esse lugar e seguir as instruções!”. Ela foi, seguiu o tratamento, se recuperou, casou-se e hoje é uma pessoa muito mais feliz e que acredita em Papai Noel!”

No melhor estilo de “bom velhinho” ele acrescenta: “Ser Papai Noel não precisa ser só em dezembro, pode ser o ano todo, isso é o que me comove e me dá força para fazer o que eu faço!”

 

Para o Papai Noel o importante é manter o Espírito Natalino em seu trabalho.

“O Espírito de Natal é a renovação. É um momento tão sublime, que pega o mais desnorteado da vida e coloca um pingo de paz, amor e esperança em sua mente, este vem a ter consciência de erros ou vem a ter uma alimentação de prosperidade. É um momento tão sublime, no qual se pode corrigir, pode se doar e pode realmente se entregar” (Aristóteles Pires)

 

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