Vice-prefeito do candidato Ney Leprevost quer melhorar a saúde pública de Curitiba

João Guilherme Moraes é médico oftalmologista graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR). Especializado em retina e vítreo, é um dos retinólogos mais renomados do país. Dr. João Guilherme, tem 42 anos e é pai de três filhas. Parte do corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, do Hospital Universitário Cajuru e do Hospital Pequeno Príncipe, é filiado ao Partido Social Cristão (PSC). Ele aceitou o convite do candidato à prefeitura Ney Leprevost (PSD) para compor a chapa e concorrer na condição de vice-prefeito. De perfil técnico e pragmático, Dr. João Guilherme se lança pela primeira vez a um cargo eletivo e atende às características de “não ser político de profissão e totalmente Ficha Limpa”, bandeiras levantadas por Leprevost. Ele falou com exclusividade para o Jornal Comunicação.

Jornal Comunicação – Qual é a sua visão sobre a situação do transporte público de Curitiba hoje?

João Guilherme – Nós temos a dificuldade da falta de integração do sistema com a região metropolitana. A gente tem a ideia de uma integração temporal. Você faz o seu trajeto através de um aplicativo que a prefeitura pode desenvolver: o melhor trajeto, o mais curto e rápido aparece. E terá tempo de duas ou três horas para outras linhas com uma passagem. Temos a ideia de implementar isso. Outra coisa é fazer uma promoção. Como médico e professor da pós-graduação, sei que temos pouco incentivo à produção científica. Não é só uma atribuição federal. A prefeitura pode dar passe livre para estudante que produz ciência. Passe livre para todos é algo difícil. Mais fácil pensar em sistema de transporte melhor, mais qualificado e tentar a redução de tarifa. A CPI na Câmara Municipal indicou isso. Então a gente fala de caixa preta porque não tem acesso. Existe muita falta de informação, principalmente da URBS, que é uma sociedade mista. Não sabemos quem são os sócios da URBS exatamente. Ela tem uma relação muito conturbada com as empresas de ônibus. Temos o interesse de fazer um ônibus melhor e, se possível, com uma tarifa cada vez mais acessível. Isso tudo tem que ser baseado em propostas concretas. Na última eleição foi prometido metrô; não temos a perspectiva de fazer esse tipo de promessa.

JC – Qual a sua ideia de política pública para a juventude?

JG – A Educação é fundamental, a gente sabe que melhorou, mas precisamos avançar muito. A prefeitura faz agora propaganda que está satisfeita com a situação da avaliação de melhor ensino de escola básica, que é do IDEB. Curitiba é a primeira das capitais na avaliação, mas não quer dizer que é o suficiente. Nós temos várias ações para educação, sobretudo a oferta no contraturno, mas o principal é ter a valorização do professor. Não somente a financeira. O problema é que o professor não é valorizado socialmente. Hoje, a sociedade não estimula mais as pessoas a serem professores. O quadro da prefeitura é muito capaz. Falta uma gestão desse quadro. Os funcionários da prefeitura são ótimos, falta estruturar sala de aula, o plano de carreira. Tudo para valorizar o profissional da educação.

JC – Como você enxerga a relação do seu candidato com o governo estadual?

JG – A gente tem essa perspectiva de entender que os governos não podem mudar conforme as pessoas. Os planos de governo precisam ser perenes, independente se o prefeito é amigo ou inimigo do governador. Não tem cabimento ter uma relação entre prefeitura e governo ruim porque governador e prefeito não se dão bem. Esse tipo de coisa não vai acontecer na nossa gestão. Vamos tentar fazer o melhor pela cidade. Não vai ter briga e sim gestão administrativa. Por isso a gente representa um novo jeito de fazer política: correta, baseada em honestidade, e transparência para a população. Sem politicagem, sem troca de favor. Se for bom pra cidade, é bom pra população.

JC – Qual é o diferencial de não ser “político profissional” e o que isso tem a ver com as propostas de Ney Leprevost?

JG – Essa é uma tendência e estou aqui porque acredito nela. É um momento das pessoas sem envolvimento político, das pessoas comuns: estudantes, trabalhadores, empresários, profissionais liberais, professores, que carregam o país nas costas. É o momento de nós tomarmos frente dessa situação. Se não os [políticos]  “profissionais” vão tomar conta. O Ney é político há bastante tempo e é por isso que ele me colocou. Ele fez uma opção. Estou vindo para uma gestão técnica, para a área da saúde. Somos diferentes de quem está na política há 30 anos. É hora de mudar e ter novidades. Ser honesto não é o suficiente. É necessário ser honesto e ter capacidade de gestão. E a administração da cidade é muito passiva. Quantas vezes vimos o prefeito nos bairros, conversando com as pessoas nas ruas? Indo no posto de saúde? A administração pública é muito distante das pessoas.

JC – Na sua opinião, qual é o papel do vice-prefeito?

JG – Como tudo na vida, eu gosto sempre de me precaver antes. Sou muito seguro em relação às minhas decisões. O vice na constituição não tem uma função definida de cargo executivo. O vice existe para substituir o prefeito, governador ou o presidente. A função é esta. Ele pode ficar só observando. A minha é tentar ajudar numa saúde pública melhor. Conheço todos os pontos do sistema. A prerrogativa é ser um vice atuante. Represento o Ney em vários eventos e sabatinas. Quero incentivar as boas práticas públicas e esse é o meu papel.

 

João Guilherme e o candidato Ney Leprevost (foto: Divulgação)
João Guilherme e o candidato Ney Leprevost (Foto: Divulgação)

JC – Sobre o que aconteceu a nível federal, o impeachment da Presidente Dilma Rousseff foi um golpe?
JG – Acho que foi uma saída constitucional, mas ela deve valer para todos. Se for comprovado crime, todos os envolvidos devem sofrer o mesmo processo. Se houver indícios de corrupção de qualquer governo, eles devem ser punidos exemplarmente, não interessa o partido. Se a Lava Jato relacionar o Renan Calheiros e Michel Temer, eles devem sair. Se for pra um, tem que ser pra todos.

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